Procurador-geral americano pede libertação de Nobel da Paz

      WASHINGTON - O procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, pediu nesta terça-feira a libertação do dissidente chinês Liu Xiaobo, vencedor do Nobel da Paz, às vésperas de uma visita a Pequim. Liu, 54 anos, é um dos responsáveis pela Carta 08, um texto que pede reformas democráticas na China que circula na internet e foi assinado por milhares de pessoas. O ativista foi condenado em dezembro de 2009 a 11 anos de prisão por subversão. O anúncio de que foi o vencedor do Nobel da Paz no início do mês provocou a revolta de Pequim.

O pedido de Holder foi feito em Hong Kong, na véspera do início de uma visita de dois dias a Pequim. "O caso de Liu Xiaobo é um infortúnio, dado seu status e reconhecimento pelo Comitê Nobel", disse. "Eu penso que é incumbência do governo chinês reagir de maneira apropriada e de acordo com suas obrigações em tratados internacionais e libertá-lo".

Holder também afirmou não ter certeza se abordará o tema em Pequim durante a visita, mas acrescentou: "O presidente (Barack) Obama, a secretária de Estado (Hillary) Clinton e eu deixamos claro o ponto de vista dos Estados Unidos a respeito do tratamento que ele recebe".

Liu é o terceiro vencedor do Nobel a ser premiado quando estava na prisão. Holder é a principal autoridade do governo Obama a visitar a China desde o anúncio do prêmio. A mulher de Liu Xiaobo, Liu Xia, que está em prisão domiciliar em Pequim, foi autorizada a visitar o escritor e ativista político dois dias depois da vitória do marido. Após a visita, ela afirmou que o marido dedicou o Nobel às vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial em 1989.

O ex-professor universitário ajudou nas negociações que possibilitaram a saída de milhares de estudantes da Praça antes da entrada dos tanques do Exército no local, após seis semanas de protestos pacíficos no centro de Pequim. O governo comunista da China classificou o prêmio de "obscenidade", uma violação dos princípios do Nobel e afirmou que a vitória de Liu Xiaobo "encoraja o crime".