Mineiro boliviano que ficou soterrado no Chile ganha emprego e auxílio moradia

Único estrangeiro entre os 33 mineiros soterrados por 70 dias no Chile, o boliviano, Carlos Mamani, voltou a viver na Bolívia. Mamani vai trabalhar na companhia estatal de petróleo, cuja sigla é YPFB, na cidade de Cochabamba. O ex-mineiro vai desempenhar a função de chefe de transportes e receberá um auxílio moradia do governo boliviano.

As informações são da agência oficial de notícias da Bolívia, a ABI. Mamani disse que nos mais de dois meses que permaneceu a 700 metros de profundidade ele foi bem tratado pelos colegas que também estavam soterrrados.

"Eles [os mineiros chilenos] me fizeram sentir como um chileno, pois todos estávamos tentando sobreviver”, afirmou ele. Segundo Mamani, foi no interior da mina, sem saber quando seria resgatado, que começou a “valorizar a vida” e ver o “verdadeiro sentido" dela. "Eu senti o amor de meus companheiros chilenos. Eles lutavam para sobreviver e ter sucesso".

Órfão, Mamani disse que sua família é a mulher e a filha. "A Bolívia é o meu país, onde eu quero viver, mas o Chile eu considero como minha segunda pátria. Lá [no Chile] eu renasci quando fui resgatado a 700 metros", afirmou o trabalhador.

Mamani retornará para Copiapó para uma reunião com os demais 32 mineiros resgatados. Eles pretendem acionar judicialmente os donos da empresa de mineração responsável pela Mina San José, onde houve o acidente em agosto. Mamani começou a trabalhar no local apenas cinco dias antes do desastre.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou que Mina San José será fechada por falta de segurança. Na semana passada, Piñera organizou o resgate que retirou com vida todos os trabalhadores. O salvamento foi transmitido ao vivo pela emissora de televisão estatal chilena, TVN.