Irã: filho e advogado de mulher condenada à morte serão processados

       TEERÃ - O filho e o advogado da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por adultério e acusada de ter participado do assassinato do marido, serão processados na próxima semana,  informou Mina Ahadi, porta-voz do Comitê Internacional contra o Apedrejamento.  De acordo com Ahadi, a decisão referente a Sajjad Ghaderzadeh, o filho mais velho de Sakineh, e Javid Houtan Kian, seu representante legal, foi tomada depois de "um interrogatório, diante dos juízes, que durou cerca de duas horas".

Detidos no Irã desde o dia 10, os dois teriam passado por entrevistas que se estenderam por toda a semana, além de serem submetidos a "intensas pressões", "principalmente o filho de Sakineh", assinalou a porta-voz.

Ahadi comentou que Sajjad e Kian "devem voltar à prisão". "Até o momento não sabemos o que aconteceu porque ninguém pode vê-los ou falar com eles, e não há nenhum advogado que os representa", comentou ela.

A oposicionista iraniana apontou ainda que os dois "são acusados de ter falado com a mídia estrangeira". "Por isso, nos últimos dias sofreram pressões e agora devem enfrentar um processo", explicou ela.

O caso de Sakineh, de 43 anos, atraiu a atenção do mundo inteiro, em uma campanha que mobilizou inúmeros governos e entidades humanitárias. Considerada culpada de adultério pela Justiça iraniana, ela foi condenada à morte por apedrejamento, mas a pena acabou sendo suspensa no início de setembro.

No final do mês passado, autoridades locais anunciaram o castigo de enforcamento como punição pela participação na morte do marido. A medida foi logo retificada pela Chancelaria do Irã, a qual afirmou que as formalidades legais do processo ainda não estavam concluídas.