Mineiros soterrados querem fazer lista de quem deixará primeiro o abrigo

         SANTIAGO – Às vésperas do resgate, os 33 mineiros soterrados há dois meses na Mina de San José, no Deserto de Atacama, no Chile, querem ter o direito de preparar a lista dos primeiros a deixar o abrigo. A ideia é que a prioridade seja dada a Edson Peña, de 34 anos, que é diabético e sofreu uma queda de glicose nos últimos dias. Mas as autoridades chilenas ainda não confirmaram se atenderão ao pedido.

O apelo dos mineiros será reforçado hoje pelas famílias deles durante encontro com a primeira-dama do Chile, Cecilia Morel, marcado para as 15h. As autoridades resistem em autorizar a elaboração de uma lista com nomes porque alguns médicos afirmam que o ideal é que os primeiros a deixar o abrigo sejam saudáveis, sem problemas de saúde.

Os médicos alegam que é necessário que um homem saudável esteja entre os primeiros a deixar o local para que os especialistas possam examinar se o plano de resgaste funciona. Do contrário, afirmam os médicos, se houver problemas, a dúvida será se as dificuldades estão no resgate ou na vítima.

A expectativa no Chile é que até amanhã (9) uma da máquinas perfuradoras - que escava o local onde estão há dois meses os trabalhadores - atinja o abrigo. Faltam menos de 40 metros para chegar ao local, a 700 metros de profundidade. As autoridades chilenas informaram que o resgate pode não ser imediato. A operação depende das condições técnicas e do terreno.

Resgatados, os mineiros receberão os primeiros cuidados em um hospital montado próximo à mina, no Acampamento Esperança – área que passou a ser ocupada pelos parentes das vítimas. Em seguida, os trabalhadores serão transportados de helicóptero para a cidade de Copiapó, a maior da região. Uma das orientações é em relação à visão dos trabalhadores – uma vez que eles estão há dois meses sem ver a luz do sol e longe da claridade.   

As autoridades chilenas preparam um esquema para a transmissão ao vivo do momento exato da retirada dos mineiros. Para apressar o resgate, três máquinas perfuradoras funcionam dia e noite. Uma delas, considerada a mais rápida, é a que deve chegar nas próximas horas ao local onde estão os trabalhadores.