Filho de mulher condenada à morte no Irã pede intervenção do papa

      TEERÃ - O filho da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que havia sido condenada à morte por apedrejamento no Irã, declarou hoje que fez um pedido oficial ao papa Bento XVI para que intervenha no caso de sua mãe.  "Pedimos oficialmente ao papa para intervir para salvar nossa mãe", informou Sajjad Ghaderzadeh. Ele também disse à ANSA que ele e sua irmã temem ser presos e pedem asilo político à Itália.

"Recebemos ligações de pessoas que se apresentavam como agentes da inteligência, que nos ameaçaram e uma vez me convocaram aos seus escritórios, mas não fui. Mas existe a possibilidade de que nos prendam a qualquer momento", afirmou.

Questionado pela imprensa, o porta-voz da Chancelaria italiana, Maurizio Massari, atestou que a requisição do filho de Sakineh "será avaliada também através dos contatos com aliados europeus em Teerã". Ele voltou a destacar o que foi dito quando Ghaderzadeh, em recente entrevista, já afirmava temer pela vida dele e da irmã e pensava em pedir asilo ao primeiro-ministro, Silvio Berlusconi.

"Não tenho nenhum comentário a fazer", pontuou o ministro do Interior, Roberto Maroni, ao ser questionado sobre o pedido. De acordo com Ghaderzadeh, um dos primeiros filhos da mulher de 43 anos cuja condenação transformou-se em tema mundial de campanhas pelos direitos humanos, o advogado de sua mãe também corre riscos.

Ele relatou que, "há uns dez dias, revistaram a casa do advogado [Javid Houtan] Kian, levaram embora alguns materiais, como já tinham feito há um mês, e há quatro ou cinco dias instalaram uma câmera de circuito fechado fora de seu escritório". "Ele foi convocado pelo juiz para sábado e ali poderá ser preso", completou.

A condenação de Sakineh à morte por apedrejamento, derivada de uma acusação de adultério, foi suspensa em meio a fortes pressões internacionais. Porém, na semana passada, o procurador-geral da nação persa, Ghomahossein Mohseni-Ejei, anunciou que a mulher havia sido considerada culpada por ter sido cúmplice no homicídio do marido e poderia ser condenada à morte por enforcamento.