Venezuela reafirma ante a Espanha não ter vínculos com ETA

A Venezuela reafirmou, esta segunda-feira, ante a Espanha, que não tem vínculos com grupos irregulares, nem apoia o terrorismo, em resposta a declarações de dois supostos membros do grupo separatista armado basco ETA que asseguram ter sido treinados no país sul-americano.

"O governo venezuelano não está vinculado de forma alguma com nenhuma organização terrorista, especialmente com o grupo basco Euskadi Ta Askatasuna (ETA)", declarou o embaixador da Venezuela na Espanha Isaías Rodríguez, citado em nota de imprensa, divulgada pela chancelaria, em Caracas.

"Ratificamos nossa mais enérgica condenação ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações", insistiu o diplomata.

Os dois supostos terroristas do ETA, Juan Carlos Besance Zugasti e Xavier Atristain Gorosabel, detidos na semana passada na Espanha, indicaram em interrogatório, perante a Guarda Civil, que fizeram "cursos de formação" em julho e agosto de 2008 na Venezuela, segundo um auto judicial divulgado esta segunda-feira.

Os ativistas foram mandados para a prisão, esta segunda, enquanto o governo espanhol pediu informações adicionais a Caracas no âmbito de sua colaboração antiterrorista.

Rodríguez disse que o compromisso do seu país "é cooperar a todo momento com o governo espanhol, contra este ou qualquer bando terrorista que ponha em risco a paz ou a vida de qualquer cidadão".

O diplomata disse, ainda, segundo a nota de imprensa, que as declarações destes dois supostos membros do ETA não podem ter "credibilidade" e poderiam ser "desconsideradas" por um juiz.

A Justiça espanhola suspeita há meses que a Venezuela serve de esconderijo para membros do ETA.

Em março deste ano, um juiz espanhol determinou a detenção de 12 supostos integrantes do grupo armado basco e da guerrilha colombiana das Farc por suposta colaboração e tentativa de assassinato, na Espanha, de personalidades colombianas.

A Justiça destacou, ainda, que a colaboração entre as duas organizações contou com a "cooperação governamental" venezuelana. O governo venezuelano do presidente Hugo Chávez tem negado qualquer cooperação com esta organização.