Guatemala cria comissão para investigar experiências de médicos dos EUA

O presidente da Guatemala, Alvaro Colom, formou nesta segunda-feira uma comissão que investigará "como foi possível" que cientistas dos Estados Unidos tenham infectado cerca de 1.500 guatemaltecos com doenças sexualmente transmissíveis entre 1946 e 1948, informou um porta-voz.

"O objetivo da Comissão é estabelecer a verdade dos fatos. Tentaremos determinar como foi possível que isto acontecesse e quais foram as vítimas, assim como as sequelas e os supostos responsáveis", disse o secretário de Comunicação Social da Presidência, Ronaldo Robles.

O grupo será formado pelo próprio Colom, pelo vice-presidente Rafael Espada e pelos ministros da Saúde, Ludwig Ovalle, do Interior, Carlos Menocal, da Defesa, Abraham Valenzuela, por representantes do Colégio de Médicos da Guatemala e por Robles.

As experiências em humanos realizadas por americanos na Guatemala foram reveladas há alguns dias por uma investigação da doutora Susan Reverby, do Wellesley College, que descobriu os documentos nos arquivos do doutor John Cutler (fallecido en 2003), encarregado dos testes.

Cutler dirigiu entre 1946 e 2948 pesquisas sobre reações a medicamentos contra sífilis, gonorreia e outras doenças sexualmente transmissíveis, inoculando-as em cerca de 1.500 guatemaltecos, sem que eles soubessem para observar seus efeitos.