EUA rejeitam acusação de responsabilidade por levante no Equador

A acusação dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales, de que os Estados Unidos estiveram por trás do levante policial no Equador "não tem valor", afirmou esta segunda-feira um porta-voz do Departamento de Estado.

"Isto não tem valor", disse o porta-voz americano para a América Latina, Charles Luoma-Overstreet, em um e-mail enviado à AFP.

Tanto Hugo Chávez quanto Evo Morales acusaram, no fim de semana, os Estados Unidos de estarem por trás do levante da polícia contra o presidente equatoriano, Rafael Correa, ocorrida em 30 de setembro e que resultou em fatos violentos que deixaram 10 mortos e centenas de feridos.

Chávez acusou Washington de desempoeirar "o velho expediente dos golpes de Estado" contra governos "que não se subordinam", enquanto Morales afirmou que os Estados Unidos intervieram em quatro tentativas de golpes de Estado na América Latina desde 2002, o último deles no Equador.

"Os Estados Unidos, assim como outras nações do continente e em outras regiões, criticaram os distúrbios, expressaram seu total apoio às instituições democráticas do Equador e ao presidente Correa, e chamou os equatorianos ao diálogo", disse Luoma-Overstreet.

Os Estados Unidos condenaram os fatos violentos da quinta-feira passada, que mantiveram em vigília o presidente Correa, que um dia depois recebeu a ligação da secretária de Estado, Hillary Clinton, manifestando seu apoio e dando votos da rápida restauração da ordem.

Os Estados Unidos mantêm tensas relações com Venezuela e Bolívia.

O porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, admitiu esta segunda-feira que Washington tem "diferenças profundas" com o governo de Hugo Chávez.

"Mas temos a intenção de dialogar com este governo, assim como com os outros governos do mundo", disse Crowley, afirmando que os Estados Unidos continuam empenhados em "enviar um embaixador a Caracas porque é do nosso interesse".

O indicado pelo presidente americano, Barack Obama, para a embaixada em Caracas, Larry Palmer, é repudiado pelo governo venezuelano por críticas feitas contra ele.

Palmer deve ser confirmado no cargo pelo Senado americano.