Vargas Llosa diz que Chávez perdeu estado de graça do "caudilho messiânico"

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, "perdeu o estado de graça do caudilho messiânico do qual gozou por alguns anos" e depois das eleições da semana passada terá mais dificuldades, afirma o escritor peruano Mario Vargas Llosa.

Em um artigo publicado no jornal espanhol El País, o escritor denuncia uma "grotesca manipulação do voto popular arranjada preventivamente pelo chavismo para converter em vitória o que esperava seria uma recusa rotunda de sua política".

O governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) conseguiu eleger 98 deputados e a aliança opositora Mesa da Unidade, 65.

Depois das eleições, Chávez, que está há quase 12 anos no poder, "perdeu o estado de graça do caudilho messiânico do qual gozou por alguns anos", destaca o escritor, que se define como liberal e critica com frequência os regimes venezuelano e cubano.

"O avanço do regime para um modelo cubano, de ditadura marxista leninista integral, terá muito mais dificuldades para materializar-se agora", completa

A respeito dos grupos de oposição, lembra que "não devem cantar vitória nem confiar apenas no excelente resultado".

"É imprescindível que a união dos partidos, movimentos e pessoas da oposição que é a Mesa da Unidade Democrática se mantenha e se afiance, porque desta maneira seguirá ganhando adeptos", estimula.

Também aconselha a oposição venezuelana a trabalhar sem levar em consideração as críticas de que não possui um líder.

"Criticam a oposição venezuelana por carecer de líderes, mas, como, ainda é preciso acreditar nos caudilhos? Agora tem dirigentes que merecem respeito, não adoração religiosa, pois trabalham em equipe, buscam consensos e fazem acordos por meio do diálogo e da persuasão, ou seja, começam a praticar a cultura democrática".

esb/fp