Correa retoma tarefas no governo após violenta rebelião policial

O presidente equatoriano, Rafael Correa, retomou neste sábado as tarefas de governo com a apresentação de seu relatório semanal de trabalhos, enquanto são iniciadas ações judiciais contra três coronéis acusados de tentativa de assassinato durante a rebelião policial de quinta-feira.

Correa iniciou seu programa de rádio e televisão com um minuto de silêncio pelas vítimas da revolta de quinta-feira passada, que deixou oito mortos e 274 feridos, segundo o Ministério da Saúde, enquanto militares patrulhavam as ruas de Quito em meio ao Estado de exceção.

O presidente insistiu que a rebelião foi uma tentativa de golpe de Estado que, ao falhar, gerou uma tentativa de assassinato contra ele antes de ser resgatado por militares e policiais leais ao governo em um hospital de Quito, onde os insubordinados o retiveram durante várias horas.

Os rebeldes afirmaram que a ação ocorreu para exigir a revogação de uma lei que consideravam prejudicial para suas rendas.

Correa reiterou que os policiais tentaram aplicar-lhe uma emboscada e atiraram no veículo do qual saiu depois do resgate, ocorrido em meio a um intenso tiroteio no qual um policial fiel ao governo morreu por um disparo que, segundo o presidente, foi dirigido a ele.

Um segundo policial, um soldado e um estudante morreram durante essa operação, enquanto outro oficial está com morte cerebral e outro ficou paraplégico, segundo detalhou o chefe de Estado.

"É seguramente a semana mais triste de todo o meu governo (de quase quatro anos) e uma das mais tristes de toda minha vida", afirmou Correa diante de ministros e convidados no Palácio de Carondelet (Casa de Governo).

"Estou destroçado, podemos dizer que foi uma grande vitória política para o governo, porque fracassaram os planos desestabilizadores, o povo saiu às ruas, mas vidas foram perdidas, há dezenas de feridos, equatorianos contra equatorianos. Como isso pôde ocorrer, o que passava na mente desses loucos?", completou.

Correa reiterou que "aqui não pode haver perdão nem esquecimento, impunidade jamais", pelo que "se investigará esses poucos maus elementos da polícia", manipulados, segundo ele, por dirigentes próximos ao ex-presidente Lucio Gutiérrez, derrocado em 2005.

Três coronéis da polícia detidos na sexta-feira comparecerão neste sábado a uma audiência de formulação de acusações por suposta tentativa de assassinato contra o presidente, disse à AFP a procuradoria, que analisa ordenar mais prisões por esse crime e por atentar contra a segurança do Estado.

Durante o programa, o chanceler Ricardo Patiño afirmou que continua latente o risco de um golpe de Estado, pelo que chamou os simpatizantes do governo a se organizar.

"Todas as organizações sociais e políticas precisam estar prontas e preparadas para enfrentar estes processos contrarrevolucionários; todos à frente para defender o presidente e esse projeto de mudança", sustentou.