ONU publica relatório sobre as atrocidades cometidas no Congo

       NOVA YORK - A ONU publicou nesta sexta-feira seu relatório sobre as atrocidades cometidas na República Democrática do Congo (RDC) de 1993 a 2003, um texto denunciado com virulência pelos dois países incriminados, Ruanda e Uganda. Segundo o relatório, os ataques aparentemente sistemáticos contra refugiados hutus ruandeses e membros da população civil hutu podem ser classificados de genocídio se os fatos forem provados ante um tribunal competente.

Em um comunicado, a Alta Comissária para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou que "é importante recordar que o informe é aplicado à RDC, mas também à conduta dos Estados vizinhos no território da RDC".

Fruto de uma investigação realizada de julho de 2008 a junho de 2009, o relatório de mais de 550 páginas enumera os 617 crimes graves que provocaram milhares de mortes civis de 1993 a 2003 no ex-Zaire, e mais particularmente durante as duas guerras de 1996-1998 e 1998-2001.

Horas antes, o governo ruandês disse que o projeto de relatório da ONU que acusa o exército ruandês de ter cometido na RDC crimes graves contra os refugiados hutus é "ruim, perigoso e constitui um insulto à História".

"Este documento é ruim e perigoso do princípio ao fim", afirmou a ministra ruandesa das Relações Exteriores, Louise Mushikiwabo, em um comunicado transmitido à AFP.

Na semana passada, uma versão preliminar do informe também afirmava que pelo menos 303 civis, na maioria mulheres e crianças, foram vítimas de estupro durante o acirramento do conflito na RDC entre julho e agosto.

"Pelo menos 303 civis foram estuprados, entre eles 235 mulheres, 13 homens, 52 meninas e 3 meninos", detalhou o informe, indicando que este número ainda pode aumentar.

O comunicado informa ainda que "esses horripilantes estupros em série" e "outras violações dos direitos humanos cometidas por grupos armados" aconteceram na região de Walikale entre 30 de julho e 2 de agosto de 2010.