O jornal argentino Clarín destaca que Correa foi resgatado em meio a um tiroteio

Os distúrbios provocados por um protesto no Equador e o resgate do presidente Rafael Correa ganharam destaque nas capas dos principais jornais latino-americanos nesta sexta-feira. O jornal argentino Clarín, onde o assunto ocupou quase toda a primeira página, destacou que o presidente equatoriano foi resgatado em meio a um tiroteio. A versão uruguaia do El País também repercutiu o tema com destaque, assim como o jornal peruano Peru.21.

Na imprensa brasileira, a tentativa de golpe - como classificou Correa - também estampou as capas de publicações. Os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo reservaram o topo de suas primeiras páginas para manchetes sobre o estado de exceção do Equador.

Os jornais espanhóis El País, de Madri, e La Vanguardia, de Barcelona, repercutiram a rebelião no Equador com destaque em suas capas. Mas em outros países europeus, o assunto não teve a mesma ênfase. O inglês The Guardian não mencionou o incidente em sua primeira página. Em publicações dos Estados Unidos, o levante também não ganhou repercussão. São exemplos os jornais The Washington Post e The New York Times.

Entenda a crise 

Os distúrbios registrados no Equador têm origem na recusa dos militares em aceitar uma reforma legal proposta pelo presidente Rafael Correa para reduzir os custos do Estado. As medidas preveem a eliminação de benefícios econômicos das tropas. Além disso, o presidente também considera a dissolução do Congresso, o que lhe permitiria governar por decreto até as próximas eleições, depois que membros do próprio partido de Correa, de esquerda, bloquearam no legislativo projetos do governante.

Isso fez com que centenas de agentes das forças de segurança do país saíssem às ruas da capital Quito para protestar. O aeroporto internacional chegou a ser fechado. No principal regimento da cidade, Correa tentou abafar o levante. Houve confusão, e o presidente foi agredido e atingido com bombas de gás. Correa precisou ser levado a um hospital para ser atendido. De lá, disse que havia uma tentativa de golpe de Estado. Foi declarado estado de exceção no Equador - com militares convocados para garantir a segurança nas ruas. Mesmo assim, milhares de pessoas saíram às ruas da cidade para apoiar o presidente equatoriano.

Após passar mais de 10 horas no hospital, Correa foi resgatado do prédio cercado por rebeldes. Na operação, houve troca de tiros entre militares e policiais. Correa foi levado para o Palácio Presidencial, de onde discursou para milhares de simpatizantes. Segundo a Cruz Vermelha do Equador, duas pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas nos distúrbios.