Hillary Clinton manifesta apoio a Correa

A secretária de estado americana, Hillary Clinton, chamou nesta sexta-feira o presidente equatoriano, Rafael Correa, que enfrentou na última quinta-feira uma rebelião da polícia, para manifestar seu apoio, informou o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.

"Esta manhã, a secretária falou por 10 minutos com o presidente Correa do Equador. Ela expressou seu apoio ao presidente e ao governo equatoriano e fez votos pela rápida e pacífica restauração da ordem", disse Crowley a jornalistas.

Os Estados Unidos deploraram na última quinta-feira os atos de violência realizados contra Correa, que foi retido por policiais rebelados, que durante o dia tomaram vários quarteis e o Congresso, até que foi resgatado em uma operação militar.

"O governo respondeu eficazmente", disse Crowley, que cumprimentou as declarações de chefes militares no Equador, que manifestaram seu apoio a Correa.

"Esses são o tipo de ações necessárias para resolver isso, com uma afirmação dos valores democráticos, e isso é o que queremos para o Equador", disse o porta-voz.

Durante essa ligação, Hillary escutou de Correa um relato dos fatos da última quinta-feira e ambos concordaram em "trabalhar" juntos para fortalecer as instituições equatorianas e o Estado de direito", afirmou.

Entenda a crise 

Os distúrbios registrados no Equador têm origem na recusa dos militares em aceitar uma reforma legal proposta pelo presidente Rafael Correa para reduzir os custos do Estado. As medidas preveem a eliminação de benefícios econômicos das tropas. Além disso, o presidente também considera a dissolução do Congresso, o que lhe permitiria governar por decreto até as próximas eleições, depois que membros do próprio partido de Correa, de esquerda, bloquearam no legislativo projetos do governante.

Isso fez com que centenas de agentes das forças de segurança do país saíssem às ruas da capital Quito para protestar. O aeroporto internacional chegou a ser fechado. No principal regimento da cidade, Correa tentou abafar o levante. Houve confusão, e o presidente foi agredido e atingido com bombas de gás. Correa precisou ser levado a um hospital para ser atendido. De lá, disse que havia uma tentativa de golpe de Estado. Foi declarado estado de exceção no Equador - com militares convocados para garantir a segurança nas ruas. Mesmo assim, milhares de pessoas saíram às ruas da cidade para apoiar o presidente equatoriano.

Após passar mais de 10 horas no hospital, Correa foi resgatado do prédio cercado por rebeldes. Na operação, houve troca de tiros entre militares e policiais. Correa foi levado para o Palácio Presidencial, de onde discursou para milhares de simpatizantes. Segundo a Cruz Vermelha do Equador, duas pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas nos distúrbios.