Ex-refém das Farc, Ingrid Betancourt diz que não vai morar na Colômbia

      PARIS -  A ex-refém colombiana das Farc Ingrid Betancourt afirmou nesta sexta-feira que não vai morar na Colômbia, porque existe muito ódio, mas também declarou que não pretende fixar residência na França, mais de dois anos depois de ter sido resgatada das mãos das Farc. "Não vou viver na Colômbia. Não por agora", disse a ex-candidata à presidência colombiana em uma entrevista à rádio France Inter para promover o lançamento do livro "Não há silêncio que não termine", no qual relata os seis anos e meio de cativeiro sob poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Depois de explicar que desde a libertação, em julho de 2008, vive entre o filho e a filha, Lorenzo e Melanie que moram em Paris e Nova York, respectivamente, a ex-refém, de 48 anos, afirmou: "Quero encontrar um lugar que me agrade e que me dê um projeto de vida". "Minhas raízes estarão sempre aqui. A França é meu refúgio. Sempre foi", declarou Betancourt, que estudou Ciências Políticas em Paris. O primeiro marido dela, Fabrice Delloye, é um diplomata francês e pai de seus filhos.

"Sei que não será a Colômbia", completou, para logo depois fazer um adendo: "A Colômbia é um país que adoro". Betancourt admitiu que a decisão foi motivada pela polêmica sobre seu nome e a a hostilidade da opinião pública.

A imagem dela foi abalada nos últimos meses após a divulgação de que solicitou uma indenização de quase oito milhões de dólares ao governo colombiano e que rejeitou outra na França, de 450.000 euros segundo a imprensa, por considerá-la insuficiente. Betancourt abriu mão das duas.

Atualmente, 80% dos colombianos têm uma imagem negativa de Ingrid Betancourt, que já chegou a ser considerada uma "Joana D'Arc moderna". "Penso que há paixões negativas que devem iniciar um processo de amadurecimento em cada colombiano. Há muito ódio em meu país", opinou Betancourt, que atribuiu o fato a "séculos de violência".

"Se trata de encontrar um inimigo. Há muito medo da mudança, do futuro, e existem políticos na Colômbia que perguntam 'se algum dia ela voltar?'".