Argentina denuncia papel da imprensa no golpe no Equador

Os meios de comunicação do Equador não estiveram alheios à tentativa de golpe de Estado contra o presidente Rafael Correa, afirmou nesta sexta-feira, em Quito, o chanceler da Argentina, Héctor Timerman, em uma reunião ministerial da Unasul.

"Sabemos também que meios de comunicação e políticos equatorianos não estiveram alheios a este fato", afirmou o ministro antes de uma reunião de chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), cujos presidentes reuniram-se nesta quinta-feira, em Buenos Aires, para expressar seu apoio a Correa.

Timerman disse ter recebido essa informação de seu colega equatoriano, Ricardo Patiño, e de outros políticos equatorianos com os quais manteve contato.

O chanceler argentino sustentou que não há dúvida de que Correa enfrentou na quinta-feira uma tentativa de golpe de Estado, ao ser mantido como refém por policiais rebelados durante várias horas em um hospital onde se refugiou depois de ter sido agredido pelos manifestantes.

Os policiais rebelaram-se devido a uma lei que previa cortes em seus benefícios econômicos, mas Correa denunciou que o objetivo era sua derrocada por parte de grupos próximos ao ex-presidente Lucio Gutiérrez, deposto em 2005.

"Vivemos na América Latina e alguma experiência temos. Sabemos quando algo é um golpe de Estado e quando não é", afirmou Timerman.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, enfrenta no momento uma dura disputa com os dois principais grupos de comunicação do país, Clarín e La Nación, envolvendo o controle da Papel Prensa, única empresa argentina produtora de papel para jornal.

Correa foi resgatado por militares e policiais de elite leais a seu governo. Essa operação e os atos de violência ocorridos durante a rebelião deixaram quatro mortos e 193 feridos, segundo o governo.