Presidente de Banco do Vaticano é interrogado pela justiça da Itália

         ROMA - O presidente da instituição conhecida como o banco do Vaticano, o Instituto para as Obras de Religião (IOR), Ettore Gotti Tedeschi, foi ouvido hoje em uma investigação da Justiça italiana e voltou a dizer que tudo não passou de um "equívoco".  "Nós que pedimos para sermos interrogados, tudo foi feito segundo as regras", garantiu Gotti Tedeschi ao final da entrevista que durou algumas horas na Procuradoria de Roma. Também compareceu ao local o diretor-geral do IOR, Paolo Cipriani.

A investigação da Justiça da nação europeia se refere a eventuais omissões cometidas durante operações do banco do Vaticano e que se inserem em leis contra a lavagem de dinheiro.

Depois de detectada a suposta irregularidade, foi determinado o sequestro de 23 milhões de euros depositados em uma conta do IOR no banco Credito Artigiano, e que seriam transferidos à sede do J.P. Morgan em Frankfurt (20 milhões) e ao italiano Banco del Fucino (três milhões).

"Houve um equívoco que tentamos esclarecer aos magistrados", afirmou Gotti Tedeschi, que foi auxiliado pelo advogado Vincenzo Scordamaglia.

Os interrogatórios foram conduzidos no escritório do procurador adjunto Nello Rossi, titular das investigações junto ao procurador substituto Stefano Rocco Fava. O caso foi iniciado a partir de uma sinalização da Unidade de Informação Financeira (UIF) -- ligada ao Banco da Itália (banco central).

Logo depois que a notícia do sequestro dos valores e da investigação sobre as duas máximas autoridades do IOR foram divulgadas, no dia 21, a Santa Sé saiu em defesa dos dois profissionais.

Na semana passada, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, garantiu em uma carta ao jornal britânico Financial Times que "o problema com o qual nos deparamos foi causado por um mal-entendido, que agora está sendo examinado, entre o IOR e o banco que recebeu a ordem de transferência".

No último domingo, o papa Bento XVI recebeu Gotti Tedeschi, mas não foi informado se os dois discutiram a situação do banco do Vaticano.