Membro do grupo Baader-Meinhof é julgada na Alemanha

O julgamento de Verena Becker, ex-membro do grupo armado de ultraesquerda alemão Fração do Exército Vermelho (RAF), também conhecido como "grupo Baader-Meinhof", foi iniciado nesta quinta-feira em Stammheim (sudoeste da Alemanha) por sua suposta participação em um assassinato em 1977.

Trinta e três anos depois, Becker, 58 anos, ex-membro do grupo armado cujos membros mais conhecidos eram Andreas Baader e Ulrike Meinhof, é acusada de ter tido um "papel determinante" no assassinato do procurador federal Siegfred Buback.

No momento, ignora-se quem disparou contra o procurador. Vários ex-membros do RAF foram condenados por envolvimento no homicídio, mas nenhum deles por ter disparado.

Um dos objetivos do julgamento será tentar resolver esse enigma. Esse é também o desejo do filho da vítima, Michael Buback, que lutou pela reabertura do caso, depois da aparição de novos elementos, como testes de DNA.

Becker, uma berlinense morena de cabelo curto, compareceu nesta quinta-feira diante dos juízes usando grandes óculos escuros.

Presa por algum tempo em 2009, essa quinesiterapeuta aposentada está livre, e compareceu ao julgamento, organizado no mesmo local em que foram julgados e presos os líderes do RAF, começando por Andreas Baader e Ulrike Meinhof, e onde estes se suicidaram.

Becker, que passou 12 anos na prisão por outras condenações, de 1977 a 1989, recebeu indulto. O filho de Buback acredita que ela foi protegida por ter colaborado com os serviços secretos.

A RAF, criada em 1970, realizou atentados, sequestros e assassinatos por duas décadas. Matou em torno de 30 pessoas entre 1971 e 1991, especialmente "altos funcionários da economia do Estado". Foi dissolvido oficialmente em 1998.

O ano de 1977 foi o mais sangrento, com assassinatos de vários altos representantes do Estado e do mundo empresarial, o sequestro de um voo da Lufthansa por parte de um comando palestino aliado e o suicídio dos chefes do RAF Andreas Baader, Grundun Ensslin e Jean-Carl Raspe.