Chávez denuncia novo golpe 'fascista' contra socialismo latino-americano

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, considerou esta quinta-feira que a violência no Equador é "outra rosnadela das bestas fascistas" contra governos da região que "levantam a bandeira do socialismo democrático" e anunciou uma reunião de emergência da Unasul em Buenos Aires.

"É outra rosnadela das bestas fascistas que pretendem deter o rumo da história (...) Os governos que têm levantado a bandeira do socialismo democrático têm estado na mira da extrema direita, cujo amo sabemos onde está. Em Washington", disse Chávez à emissora estatal Telesur, com sede em Caracas.

Correa vive, esta quinta-feira, a maior crise em seus quase quatro anos de governo, com protestos de policiais e militares que rejeitam uma lei governamental que tirará deles ganhos econômicos.

Segundo o presidente venezuelano, o que acontece no Equador é comparável ao golpe de Estado ocorrido em 2009, em Hondruas, que tirou do poder o presidente Manuel Zelaya, e o golpe fracassado contra ele mesmo, em abril de 2002.

Chávez disse que seria "ingenuo" pensar que por trás desta onda de violência esteja unicamente uma motivação salarial.

"Esta é uma operação militar planejada (...) Uma operação que vem sendo preparada. São as forças do obscurantismo, da extrema direita", disse, criticando a morna reação dos Estados Unidos com relação ao que acontece no Equador.

"Tenho fé em que os militares não se prestem a um golpe de Estado, a que o presidente seja agredido ou assassinado, o povo massacrado ou deposto um governo democrático, progressista, pacífico, humanista", disse.

Chávez anunciou, ainda, uma reunião de emergência da União Sul-americana de Nações (Unasul), que será celebrada nas próximas horas, em Buenos Aires.

"Estamos fazendo o que precisa ser feito, denunciando com força, comunicando-nos os governos do continente, mas é preciso repetir: só os equatorianos poderão salvar a democracia no Equador", reforçou.

Chávez explicou ter falado com Correa quatro vezes e que ele confirmou que estava "sequestrado" em um hospital da polícia, acompanhado por um pequeno grupo de colaboradores e que teme por sua vida.

"Não aceitaremos um governo saído de um golpe de Estado, nem no Equador, nem em qualquer outra parte", avisou Chávez.