Irã reclama de desinteresse da comunidade internacional sobre questão nuclear

Brasília - O governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reclamou hoje (29) do suposto desinteresse do grupo de países que integram o P5 +1 (Estados Unidos, França, China, Rússia e Alemanha) em retomar as negociações para encerrar o impasse sobre o programa nuclear iraniano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, afirmou que os iranianos foram “ignorados” por esses países.

Mottaki retornou ontem (28) de Nova York onde participou da 65ª Assembleia Nacional da Organização das Nações Unidas. “O P5+1 precisa ter mais vontade política”, queixou-se o ministro. As informações são da agência oficial de notícias do Irã, a Irna, e da rede estatal de televisão, PressTV.

Segundo Mottaki, o chanceler chinês, Yang Jiechi, em Nova York, demonstrou interesse em negociar o Grupo de Viena (Estados Unidos, França, Rússia e Agência Internacional de Energia Atômica) e também com os integrantes do P5+1 em busca de uma solução para o Irã.

O ministro iraniano ressaltou que, para retomar as negociações, a base das conversas deve ser o acordo, negociado pelo Brasil e pela Turquia em maio. Pelo documento, o Irã se compromete a enviar urânio levemente enriquecido a 3,5% para a Turquia. Em troca, no prazo de um ano, a Turquia enviará urânio enriquecido a 20% ao Irã.

Com isso, a expectativa do Brasil e da Turquia é que a comunidade internacional diminua as desconfianças em torno do programa nuclear iraniano. Para os Estados Unidos e vários países, o programa esconde a produção de armas atômicas. As autoridades do Irã negam as suspeitas.

O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (Oeadi), Ali-Akbar Salehi, acusou hoje a existência de um complô para propagar um vírus na rede de computadores do sistema nuclear iraniano. Mas, segundo Salehi, a iniciativa não surtiu efeitos. De acordo com ele, o vírus atingiu o sistema central da rede, mas não contaminou o restante.

Salehi confirmou ainda que na próxima semana ocorrerá na Usina de Bushehr, no Sul do Irã, o início das suas atividades. Segundo ele, a expectativa é que em setembro de 2011, o reator da usina funcione plenamente.