Conselho de Direitos Humanos da ONU avalia relatório contra ataque israelense a flotilha

O Conselho de Direitos Humanos da ONU avaliou nesta quarta-feira um relatório que indica que foram encontradas "provas claras" para processar Israel por ter atacado uma flotilha humanitária que ia para Gaza no final de maio, causando a morte de nove pessoas.

A entidade adotou por 30 votos a favor, um contra (Estados Unidos) e 15 abstenções uma resolução apresentada pelo Paquistão em nome dos 57 países da Organização da Conferência Islâmica (OCI).

O texto "aprova as conclusões do informe" solicitado pelo Conselho sobre o incidente ocorrido no dia 31 de maio.

O relatório indica que há "provas claras" para acusar Israel por "homicídio doloso, tortura ou tratamentos desumanos", entre outras coisas.

"As circunstâncias dos homicídios de ao menos seis dos passageiros correspondem de certa forma a uma execução extrajudicial, arbitrária e sumária", segundo o documento.

Nesta quarta-feira, diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a embaixadora americana Eileen Donahoe explicou que seu país se opunha à resolução, por considerar que esta poderia atrapalhar as negociações de paz entre israelenses e palestinos, retomadas no início de setembro.

A resolução não esclarece que tipo de demanda contra Israel se trataria nem ante qual tribunal ela seria apresentada.

A Turquia, país das vítimas, comemorou a notícia. "Recebemos a decisão com grande satisfação", afirmou nos Estados Unidos, onde está de visita o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, citado pela agência Anatolia.

Em 31 de maio, um comando israelense atacou uma flotilha que tentava forçar o bloqueio imposto há quatro anos por Israel à Faixa de Gaza, um território palestino controlado pelo movimento islâmico Hamas. Nove turcos morreram na operação.