Cápsulas por onde serão retirados mineiros soterrados no Chile chegam para resgate

Trabalhadores estão soterrados há 52 dias

     SANTIAGO - Soterrados há 52 dias, os 33 trabalhadores da Mina de San José, no Deserto do Atacama, no Chile, foram surpreendidos ontem positivamente. As cápsulas que serão utilizadas no resgate deles já estão na área, prontas para serem instaladas. Paralelamente, as famílias dos mineiros, que estão acampadas próximo ao local do acidente, receberam visitas de parentes das vítimas do terremoto de 27 de fevereiro de 2010 – de 8 graus Celsius (Cº) na escala Richter, considerado o pior dos últimos 50 anos no Chile. As informações são da rede estatal de televisão do Chile, a TVN.

As cápsulas, espécies de túneis de 66 metros, serão dispostas paralelamente no local onde estão soterrados os mineiros. O responsável pelas operações de resgate, René Aguilar, afirmou que o principal acesso ao refúgio dos mineiros está sendo reforçado para evitar sobrecarga ou riscos no momento da instalação das cápsulas.

O ministro de Mineração do Chile, Laurece Golbone, comemorou o avanço das operações. Para as autoridades, está próximo o momento de resgate dos trabalhadores, que se encontram a cerca de 700 metros de profundidade desde 5 de agosto. As máquinas perfuradoras atingiram 628 metros de escavação.

Na semana passada, uma das máquinas de perfuração, a T-130, sofreu duas interrupções porque peças se desprenderam. Em decorrência dessas paralisações, houve atrasos. Mas outras duas máquinas mantêm o ritmo das escavações. Para acompanhar as operações, cerca de 150 veículos de imprensa do Chile e de outros países se organizaram para garantir a cobertura no momento exato do resgate.

As autoridades divulgaram também que houve melhora nas condições ambientais do abrigo onde estão alojados os mineiros. Segundo elas, diminuiu a quantidade de monóxido registrada no local e foi reduzida a umidade no abrigo. A temperatura, no entanto, ainda é alta, em torno de 30 a 40 graus Celsius (Cº).

O psicólogo Alberto Aturra, que faz o trabalho de assistência às famílias e aos mineiros, advertiu ontem que um acompanhamento por um longo período deverá ser feito com as vítimas e os parentes. O governo do presidente do Chile, Sebastián Piñera, determinou que assistentes sociais, médicos e enfermeiros, além de nutricionistas permaneçam na área da Mina de San José para prestar as orientações devidas.