Venezuelanos vão às urnas em um país marcado pela violência

Os venezuelanos vão às urnas neste domingo em meio a um cenário violência e milhares de homicídios, o maior problema daquele país, que o presidente, Hugo Chávez, prefere atribuir a fatores alheios à sua administração, afirma o jornal espanhol El País, neste domingo.

Na capital, Caracas, mais de 19 mil pessoas, em sua maioria jovens pobres, morreram no ano passado. Esse número representa 75 homicídios para cada 100 mil habitantes, uma média quase três vezes maior que o de países latino americanos, duas vezes maior do que na Colômbia, e nove vezes maior que no México.

Segundo El País, apesar de estar no poder há 11 anos, Chávez segue culpando os opositores, o capitalismo yankee e até a cerveja. Mas apesar do cenário, o governo prefere ocultar o problema. A Polícia cientifica não fornece mais dados sobre homicídios há cinco anos, e o principal jornal de Caracas foi proibido de publicar notícias sobre violência, para preservar o bem estar das crianças e adolescentes, diz o texto da proibição do governo.

Os homens jovens, sem recursos, são as maiores vítimas da violência em um ambiente onde se mata por um Blackberry, por um par de tênis ou em brigas pelo controle de territórios. A polícia da cidade de Sulcre, próxima da capital, conhece bem a situação, na região onde estão 2 mil bairros das mais diferentes classes sociais e a segunda maior favela da América latina.

A oposição, que boicotou os comícios de 2005, tampouco é sutil em suas críticas e acusa Chávez e incentivar a violência. O ex-astro de basquete Ivan de Oliveira, candidato do Primeiro Justiça, disse que partidários de Chávez andavam armados, em 2002. "Vi caminhões cheios de pistolas", afirma.

Existe uma arma para cada dois venezuelanos em um pais onde a água engarrafada custa mais caro que 50 l de gasolina.