Chávez se recusa a comentar possibilidade de derrota em eleições

 

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, recusou fazer qualquer referência a uma hipotética derrota do seu Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) na eleição para renovar os 165 assentos da Assembleia Nacional.

"Trata-se de uma pergunta hipotética" e "prefiro não falar de hipóteses", disse o presidente aos repórteres depois de votar em um bairro no oeste de Caracas.

Além disso, cinco horas antes do encerramento das votações, "o povo ainda está falando através do voto e não se pode comentar sobre isso", acrescentou.

O chefe de estado sublinhou que a participação pode chegar a "cerca de 70 por cento".

Estas eleições marcam o regresso dos partidos da oposição à câmara, porque nas anteriores eleições, há cinco anos, decidiram se retirar no último minuto, em uma tentativa de deslegitimar os poderes do estado, o que seus líderes mais tarde admitiram e atribuíram a "um erro político".

A esse respeito, Chávez disse que foi seu "fracasso no caminho da desestabilização e do boicote" que forçou a oposição a participar das eleições para tentar reverter a maioria dos deputados partidários de Chávez.

"Que ninguém se deixe conduzir novamente pelos caminhos da desestabilização", insistiu ele, e advertiu que "é uma loucura de que recém estamos saindo, embora alguns ainda tenham esses delíros."

"Felizmente eles tiveram que agir dentro da lei", disse, e voltou a desafiar a oposição a fazer uso do mecanismo de um referendo revogatório à constituição para tentar derrubá-lo antes do final do seu mandato em 2012.

"Eu estranho muito, eu sempre disse" por que eles não pedem um referendo nesse sentido, apesar de insistirem que "eu sou como uma pá para varrer o chão (muito baixo) em apoio popular", disse ele.

Sobre o impacto internacional dos resultados das eleições, disse que "independentemente" de favorecê-lo ou não, "tudo" o processo de mudança socialista na Venezuela "chama a atenção do mundo, porque aqui é um avanço real."

Ele acrescentou que "se trata de um ensaio fascinante que os chilenos já tentaram adiantar" com o presidente Salvador Allende (1970-1973) em direção ao socialismo pela via eleitoral.

"Infelizmente no Chile eles não conseguiram, o império se impôs", algo que um grupo de militares tentou repetir na Venezuela em abril de 2002 contra ele, mas "foram varridos", disse ele referindo-se ao golpe que tentou derrubá-lo e que durou dois dias.

Portanto, continuou o presidente, "a Venezuela é o epicentro de uma batalha de nível continental e mundial", e "o que acontecer aqui terá alcance continental e mundial".

"Há uma batalha entre o mundo capitalista, na sua fase mais elevada, o imperialismo, (...), e o projeto socialista que, infelizmente, no século XX não pôde se consolidar", disse.