Sanções ao Irã são uma ameaça ao país, reitera Ahmadinejad

      TEERÃ - Depois de participar da 65ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reclamou da manutenção das sanções do Conselho de Segurança ao país. Ahmadinejad disse que as restrições têm um tom de ameaça e impedem a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano. Porém, ele se manteve disposto a reiniciar as articulações. As informações são da rede estatal de televisão do Irã, a PressTV. “Nós sempre acreditamos na diplomacia. Não se pode imaginar que algo possa ser feito por meio das sanções e de ameaças”, disse Ahmadinejad, informando que essas medidas são da “era colonial” e as atribuindo aos Estados Unidos.

Ontem, na sessão de abertura da assembleia, Ahmadinejad causou mal-estar e gerou o esvaziamento do local onde discursava. Ao falar em nome do Irã, o presidente deu a entender que os ataques de 11 de Setembro de 2001 foram provocados por uma conspiração norte-americana. Segundo ele, o ideal era criar um grupo específico para analisar o 11 de Setembro.

Ahmadinejad reiterou ainda que o programa nuclear desenvolvido no Irã é pacífico e não tem fins militares. O assunto é tema de várias reuniões bilaterais. O Brasil e a Turquia são mediadores de um acordo para encerrar o impasse em torno do tema. Em maio, os dois países negociaram o acordo determinando a troca de urânio pouco enriquecido do Irã pelo produto enriquecido a 20% oriundo da Turquia.

A proposta foi rejeitada pela comunidade internacional. Em junho, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou sanções ao Irã. Em seguida, de forma unilateral, a União Europeia, os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália e o Japão também aprovaram restrições ao país. Ahmadinejad insiste que não há riscos no programa desenvolvido no Irã. O argumento dele é que o país é signatário do Tratado de Não Proliferação Atômica (TNP).

Porém, o comando da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) critica Ahmadinejad alegando que o governo do Irã impede a fiscalização feita por inspetores internacionais nas usinas nucleares do país.