Papa diz que família é desagregada por busca do lucro e do consumo

      CIDADE DO VATICANO - O papa Bento XVI afirmou que a organização do trabalho baseada no lucro máximo e a corrida em direção à fuga e ao consumo no tempo livre contribuem para "desagregar a família" e difundir "um estilo de vida individualista". O Pontífice falou sobre o tema em uma carta endereçada ao presidente do Conselho Pontifício para a Família, cardeal Ennio Antonelli, em vista do VII Encontro Mundial das Famílias, que será realizado em Milão, no norte da Itália, de 30 de maio a 3 de junho de 2012.

"É preciso promover uma reflexão e um empenho dirigidos a conciliar as exigências e os tempos de trabalho com aqueles da família, e recuperar o sentido verdadeiro da festa, especialmente do domingo, páscoa semanal, dia do Senhor e do homem, da família, da comunidade e da solidariedade", explicou o líder máximo da Igreja Católica.

Retomando o tema do evento, "A família, o trabalho e a festa", escolhido no último encontro do tipo, realizado em 2009 na Cidade do México, Bento XVI afirmou que os dois últimos estão "intimamente" ligados à vida familiar. "Condicionam as escolhas, influenciam as relações entre os cônjuges e entre pais e filhos, incidem no relacionamento da família com a sociedade e com a Igreja", acrescentou ele, referindo-se ao trabalho e à festa.

De acordo com o papa, as sagradas escrituras e a experiência cotidiana atestam que "o desenvolvimento autêntico das pessoas compreende tanto a dimensão individual, familiar e comunitária, quanto as atividades e as relações funcionais, como também a abertura à esperança e ao bem sem limites". Uma realidade que, segundo o Pontífice, é "infelizmente" negada "nos nossos dias", nos quais "a organização do trabalho, pensada e atuante em função da concorrência de mercado e do máximo lucro, e a concessão da festa como ocasião de fuga e consumo, contribuem para desagregar a família e a comunidade, e em difundir um estilo de vida individualista".

Na carta enviada a Antonelli, Bento XVI desejou que o VII Encontro Mundial das Famílias "constitua uma ocasião privilegiada para repensar o trabalho e a festa na perspectiva de uma família unida e aberta à vida, bem inserida na sociedade e na Igreja, atenta à qualidade das relações mais que à economia do próprio núcleo familiar".