"O que eu disse de errado?", diz Ahmadinejad sobre o 11/9

Nova York - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse nesta sexta-feira, durante entrevista em um hotel de Manhattan, que não acredita que suas declarações de ontem sobre os atentados de 11 de setembro de 2001 prejudiquem as negociações propostas pelo grupo P5+1. "O que eu disse de errado? Os atentados levaram a morte de milhares de pessoas e a invasão de dois países. Minha posição é um serviço ao contribuinte americano, cuja taxas estão financiado o assassinato de cidadãos", disse.

Ahmadinejad disse ainda que Teerã está pronta para examinar os termos da negociação em torno no programa nuclear iraniano, em outubro. O governante se recusou, no entanto, a falar sobre a situação dos dois alpinistas americanos ainda presos no Irã.

"Acho que a sra. Ashton, se ela contatar o representante do Irã, ela pode marcar uma hora para as conversações", disse Ahmadinejad na entrevista coletiva. A chefe da política externa da União Europeia, Catherine Ashton, é a representante do P5+1 para dialogar com o Irã.

Ministros das Relações Exteriores das seis potências disseram ao Irã na quarta-feira que esperam por uma solução negociada para o impasse sobre o programa nuclear do país, que o governo iraniano diz ser pacífico, mas o Ocidente acredita que tenha como finalidade desenvolver uma arma atômica.

Há meses países ocidentais vêm pedido ao Irã que volte à mesa de negociação, mas com pouco sucesso. "Esperamos que até outubro estejamos preparados para retomar as conversações, mas já dissemos quais são nossas precondições", disse Ahmadinejad, sem dar mais detalhes

"Complô" dos EUA

Ao discursar na 65ª Assembleia Geral na ONU, Ahmadinejad sugeriu que "certos setores no governo americano orquestraram a ação para reverter a queda na economia americana e no seu controle sobre o Oriente Médio, e para salvar o regime sionista".

O comentário provocou a saída imediata da sala das delegações americana, britânica e da União Europeia. Citando uma segunda teoria, o Ahmadinejad acrescentou: o atentado "foi realizado por um grupo terrorista, mas com o apoio dos EUA, que tirou vantagem da situação".

Ontem mesmo os Estados Unidos qualificaram as palavras de Ahmadinejad de "detestáveis e delirantes". "Antes de representar as aspirações e a boa vontade do povo iraniano, Ahmadinejad decidiu tagarelar sobre teorias de complô vis e usar palavras antissemitas que são detestáveis e delirantes", destacou Mark Kornblau, porta-voz da delegação americana na ONU.