Ahmadinejad confirma que o Irã quer negociar seu programa nuclear

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, confirmou esta sexta-feira, em Nova York, que o Irã está disposto a negociar com as grandes potências seu programa nuclear, após um ano de polêmica e bloqueio.

"A porta está aberta para conversações e negociações com justiça e respeito", afirmou o líder iraniano, cujo país sofre sanções internacionais impostas pelas grandes potências.

O Ocidente suspeita que o Irã quer desenvolver uma bomba atômica, sob o disfarce de seu programa civil, o que Teerã nega.

Ahmadinejad convidou Catherine Ashton, a chefe da diplomacia da União Europeia, a "estabelecer uma data" para as conversações.

Segundo o plano provisório, o representante iraniano se reunirá com um membro do grupo dos Seis, em outubro, para decidir o âmbito das negociações, explicou.

Os Seis (Alemanha, China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) anunciaram, na quarta-feira, que esperavam encontrar "rapidamente uma solução negociada, completa e de longo prazo" com Teerã.

As mais recentes declarações de Ahmadinejad, proferidas durante entrevista coletiva à margem da Assembleia Geral da ONU, puseram um fim a uma semana que se viu inverter uma tendência que remonta à cúpula da ONU de um ano atrás.

O presidente americano, Barack Obama, apoiado pelo colega francês, Nicolas Sarkozy, e pelo premier britânico da época, Gordon Brown, havia denunciado na ocasião a existência de uma segunda instalação de enriquecimento de urânio no Irã, um local que violava as regras de transparência da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Uma oferta de intercâmbio de urânio foi apresentada ao Irã pelas grandes potências durante uma reunião, celebrada em outubro em Genebra. O fracasso desta proposta levou os Estados Unidos, firmemente apoiados pela UE, a mobilizar intensos esforços diplomáticos, que desembocaram, em junho passado, nas sanções econômicas mais severas que já foram aplicadas pela ONU ao Irã.

Teerã afirma, desde então, que estas medidas não fragilizam em nada sua vontade de prosseguir com seu programa "pacífico".

A eficácia das sanções "não está garantida", advertiu Obama na sexta-feira, avaliando que "aumentavam o custo" para Teerã de seu repúdio em tornar transparente seu programa nuclear.

A retomada do diálogo nuclear não impediu que Ahmadinejad, como costuma fazer, utilizasse o plenário da ONU, na quinta-feira, para provocar a indignação do Ocidente.

Desta vez, ele decidiu apresentar a ideia de que "um complô" americano foi o responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001, provocando o abandono imediato da sala das delegações de Estados Unidos e da UE.

Esta sexta-feira, Obama qualificou estas declarações de "chocantes", "odiosas" e "imperdoáveis".