Obama pede apoio na ONU ao processo de paz no Oriente Médio

 

      NOVA YORK - O presidente Barack Obama lançou um apelo à comunidade internacional nesta quinta-feira, pedindo apoio a seu esforço pela paz no Oriente Médio e alertando que muito sangue ainda será derramado na região a menos que israelenses e palestinos cheguem a um acordo dentro de um ano. Também se dirigiu ao Irã, afirmando que as portas da diplomacia ainda estão abertas para um diálogo que seja verdadeiro.

 

Fazendo um amplo apanhado dos principais temas da atual agenda de política externa dos Estados Unidos durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Obama disse também que as portas do diálogo nuclear continuam abertas para o Irã, e que sua viagem à Indonésia, duas vezes adiada, finalmente acontecerá em novembro.

 

O presidente americano advertiu seus interlocutores de que, caso as negociações diretas mediadas pelos Estados Unidos entre palestinos e israelenses fracassem, os primeiros jamais terão um Estado, enquanto os segundo jamais poderão viver em segurança.

 

Obama alertou ainda que, com o tempo, a dura realidade da região se imporá, "mais sangue será derramado, e esta Terra Santa permanecerá um símbolo de nossas diferenças, e não de nossa humanidade comum".

 

"Eu me recuso a aceitar este futuro. Todos nós temos uma escolha a fazer. E cada um de nós precisa escolher o caminho da paz", disse o presidente, subindo as apostas em um momento crítico das negociações de paz e arriscando pesado seu próprio capital político.

 

Barack Obama disse acreditar que tanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quanto o presidente palestino Mahmud Abbas têm a coragem necessária para fechar um acordo, mas precisam de apoio para fazê-lo. Por isso, pediu aos países árabes que assumam um papel mais ativo no processo de paz.

 

"Nós podemos dizer que, desta vez, será diferente - que desta vez nós não vamos deixar que o terror, as turbulências, as (diferentes) posições ou a politicagem mesquinha fiquem no caminho", declarou. Os atores regionais chave devem se aproximar das tradições de tolerância comuns ao islã, ao judaísmo e ao cristianismo para construir a paz, estimou. "Se fizermos isso, quando voltarmos aqui no ano que vem poderemos ter um acordo que leve à inclusão de um novo membro das Nações Unidas: o Estado independente da Palestina, vivendo em paz com Israel", destacou Obama.

 

O discurso do presidente americano não trouxe elementos novos ao repertório político do Oriente Médio, mas certamente pareceu ser um esforço claro no sentido de impedir que as recém-retomadas negociações diretas colapsem. No domingo, expirará o decreto de Netanyahu que estabeleceu o congelamento da construção de novos assentamentos judaicos na Cisjordânia, e a delegação palestina já avisou que deixará a mesa de negociações caso a medida não seja renovada - decisão que Israel, por sua vez, diz não ter a intenção de tomar.

 

A fala de Obama também coincide com um momento político altamente delicado do ponto de vista doméstico, em que o Partido Democrata enfrenta duros reveses na disputa pelas eleições legislativas de novembro. Discursando nas Nações Unidas poucas horas antes do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, o presidente americano insistiu que a porta da diplomacia ainda está aberta para Teerã, mas apenas para o verdadeiro diálogo. "Deixe-me ser claro mais uma vez: os Estados Unidos e a comunidade internacional estão em busca de uma solução para suas diferenças com o Irã, e a porta permanece aberta à diplomacia se o Irã optar por ela", disse. "Mas o governo iraniano deve demonstrar um comprometimento claro e crível, confirmando a intenção pacífica de seu programa nuclear perante o mundo".

 

Por fim, Obama anunciou para novembro sua visita à Indonésia, depois de ter adiado a viagem duas vezes - primeiro por causa da reforma do sistema de saúde, depois por causa do derramamento de petróleo no Golfo do México. Quando criança, Obama morou quatro anos no país, de maioria muçulmana. Antes da Indonésia, ele irá à Índia, e em seguida fará uma visita à Coreia do Sul e ao Japão.