Chávez quer 'vitória por nocaute' nas legislativas venezuelanas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu esta quinta-feira aos candidatos de seu partido uma "vitória por nocaute" nas legislativas de domingo, enquanto chamou os opositores de "vendidos, corruptos e sem-vergonha", instando-os a respeitar os resultados do pleito.

"Quero que ganhemos as eleições por nocaute", disparou Chávez, em ato de encerramento da campanha do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que ele preside, no estado Carabobo (norte), governado pela oposição desde 2008.

Os principais nomes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), liderado por Chávez, participaram nesta quinta-feira dos atos de encerramento da campanha nas principais cidades do país.

Gritos de "Uh, ah, Chávez não se vá", mais apropriados para uma eleição presidencial eram bradados pela multidão presente.

Vestido de vermelho em cima de um caminhão, o chefe de Estado venezuelano, que mantém uma forte popularidade quase 12 anos depois de sua chegada ao poder, foi o motor desta campanha eleitoral, durante a qual percorreu várias partes do país acompanhando os candidatos do PSUV.

No próximo domingo, mais de 17 milhões de venezuelanos elegerão 165 deputados que formarão a Assembleia Nacional (Parlamento unicameral) em eleições em que a situação aspira a manter sua esmagadora maioria para garantir o "futuro da revolução", disse o presidente.

"Vamos para a batalha, não subestimemos o adversário, vamos ganhar e faremos com que respeitem os resultados para continuarmos avançando na construção do socialismo democrático da Venezuela socialista", acrescentou.

Chávez lembrou que, nas últimas eleições legislativas, em 2005, os opositores a seu governo "se retiraram na última hora" de participar das eleições, na vã tentativa de boicotá-las.

"Se quiserem, façam a mesma coisa", desafiou o presidente.

E se não, da mesma forma "vamos dar uma surra nestes esquálidos (denominação depreciativa usada para se referir aos opositores), vendidos, corruptos, sem-vergonha, subordinados ao império ianque", conclamou Chávez entre aplausos de seus seguidores.

"Aqui estão os candidatos de Chávez. Os que quiserem pátria, que venham com Chávez", reforçou.

Diante do rolo compressor do chavismo, as forças da oposição encerraram a campanha discretamente, em diversas cidades do país.

"É possível a mudança, vamos dar as mãos, nos unir e governar para todos. Todos estes candidatos serão deputados de todo nosso Estado de Miranda, e não apenas de um partido político", disse Henrique Capriles, governador local.

Unidos na chamada Mesa da Unidade Democrática, um grupo de partidos opositores pretende voltar com força à Assembleia Nacional no próximo domingo.

"A partir de 26 de setembro começa a contagem regressiva para a mudança no país", garantiu o candidato Richard Blanco.

Segundo as pesquisas, o PSUV deve obter mais de 50% dos votos, dando a Chavez dois terços das cadeiras do Congresso, devido ao sistema proporcional de distribuição.

Uma vitória no domingo é crucial para Chávez seguir avançando com sua revolução bolivariana.