Fidel Castro reconhece direito de existência de Israel

O ex-presidente cubano Fidel Castro, que já advertiu sobre um possível ataque nuclear de Israel contra o Irã, reconheceu o direito do Estado hebreu existir, segundo entrevista concedida recentemente em Havana.

"Sim, sem dúvida alguma", respondeu Fidel quando o jornalista Jeffrey Goldberg perguntou se Israel tinha o direito de existir, revelou o repórter, esta quarta-feira, em artigo publicado na revista americana The Atlantic.

Ainda segundo Goldberg, que entrevistou Fidel ao longo de três dias no mês de agosto, o ex-chefe de Estado cubano criticou o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, por negar o Holocausto e afirmou que "ninguém foi mais difamado do que os judeus".

Perguntado se Cuba estaria disposta a restabelecer relações com Israel, Fidel disse que este tipo de coisa leva tempo, contou o jornalista.

Mas o líder cubano de 84 anos, que se distanciou do poder por motivos de saúde, contou a Goldberg que entendia como é difícil uma decisão para um premier israelense tendo como pano de fundo a lembrança do Holocausto.

Em 10 de setembro, Fidel reafirmou em uma mensagem lida em Havana sua condenação ao Holocausto, mas também às perseguições de muçulmanos pelos cristãos, ao esclarecer preocupações de "amigos árabes que o teriam contatado após sua entrevista à The Atlantic".

Em vários artigos que escreveu sobre sua preocupação atual na política externa, a possibilidade de um enfrentamento nuclear no Oriente Médio, Fidel tem insistido em que Israel prepara um ataque contra o Irã.