Brasil é destaque nas discussões da ONU sobre combate à pobreza e à fome

O Brasil é citado como exemplo nas principais discussões sobre combate à pobreza e à fome na 65ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Representantes dos Estados Unidos, da Espanha e da Nicarágua demonstraram interesse em negociar parcerias com o governo brasileiro. A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, disse que o segredo da eficiência está na decisão política.

“O Brasil tomou uma decisão política de combater a fome e a pobreza. O Programa Fome Zero que propiciou isso com a integração de outros projetos”, ressaltou a ministra, nas mesas-redondas das quais participou. Segundo ela, é fundamental criar uma espécie de sistema único de programas de transferência de renda.

O balanço dos avanços registrados pelo Brasil nos últimos anos foi apresentado nas Nações Unidas. Pelo menos 27,3 milhões de brasileiros saíram da faixa da pobreza extrema, no período de 1990 a 2008. De 1997 a 2005, houve uma redução de 12,7% no número de mulheres que morrem no parto. Em 2005, a taxa de mortalidade era de 54,4 em cada mil partos, contra 61,2 em 1997.

Também aumentou o número de gestantes que têm assistência médica. Em 1996, 6,3% das grávidas declararam que não tiveram acompanhamento médico na gestação, enquanto em 2007 o percentual caiu para 1,9%. No período de 1990 a 2008, o número de crianças e adolescentes mortos no país diminuiu em 58%.

Os dados foram apresentados pela ministra em reuniões sobre a saúde da mulher, da criança e do adolescente, assim como nas discussões em torno de medidas para combater a fome a pobreza. Nas reuniões, ela mencionou todos os programas de transferência de renda em execução no país. Mas o destaque é o Bolsa Família, que atende cerca de 60 milhões de pessoas no país, repassando, em média, R$ 90 mensais.

O Benefício de Prestação Continuada, que atende de cerca de 3,5 milhões de pessoas - portadoras de deficiência, idosas (cuja renda mensal seja inferior a R$ 127, o equivalente a um quarto do salário mínimo) e incapacitadas para o trabalho – também é mencionado nas discussões. Os beneficiários recebem um salário mínimo por mês (R$ 510).

Outro destaque é para o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), voltado para crianças e adolescentes com menos de 16 anos. Cerca de 820 mil pessoas são atendidas em 3,5 mil municípios.

Na semana passada, a organização não governamental ActionAid divulgou um relatório analisando as ações desenvolvidas em 28 países para combater o problema. Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil lidera o ranking que mede o progresso de países em desenvolvimento na luta contra a pobreza.