Polêmica sobre expulsões de ciganos chega à reunião da UE

Agência AFP

BRUXELAS - A polêmica sobre as expulsões de ciganos na França teve nesta quarta-feira uma dimensão inusual na Europa, com um confronto aberto entre Bruxelas e um país-membro da UE, e será abordada na cúpula europeia de quinta-feira, que tem como foco a disciplina fiscal.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, prevê deixar clara sua postura sobre a controvérsia durante a cúpula de chefes de Estado e de governo da União Europeia (UE) em Bruxelas, denunciando a forma com a qual a Europa "expressa-se em relação ao que a França faz", adiantou um membro de seu partido.

Sarkozy já respondeu nesta quarta-feira às duras acusações feitas na véspera pela comissária europeia de Justiça, Viviane Reding, contra seu governo. Ela apontou semelhanças entre as expulsões de ciganos, realizadas desde julho na França, e as deportações da Segunda Guerra Mundial.

Depois que a comissária ameaçou sancionar a França por uma política que viola o direito comunitário, o presidente conservador sugeriu que Reding recebesse os ciganos em seu próprio país, Luxemburgo.

Essa afirmação foi taxada de "mal-intencionada" pelo governo de Luxemburgo, enquanto a Alemanha saiu em defesa da comissária, apesar de lamentar o tom das discussões.

Fontes diplomáticas informaram que os chefes da diplomacia francesa e de Luxemburgo prevêem reunir-se paralelamente à cúpula para colocar fim aos debates, com a publicação de um comunicado conjunto.

No entanto, na quarta-feira à noite, as águas pareciam voltar à calmaria.

Em declarações à AFP, Reding disse que "em nenhum momento quis estabelecer um paralelo entre a Segunda Guerra Mundial e as ações do governo francês atualmente".

Pouco depois, em um comunicado, o Eliseu disse "ter anotado as desculpas de Viviane Reding (...) por suas declarações excessivas em relação à França".

A agenda oficial da reunião de líderes europeus está centrada, no entanto, no reforço da disciplina orçamentária, em um momento em que a Europa luta para se recuperar de uma crise de dívida pública sem precedentes.

A pressão, interna e externa, para que a Europa comprometa-se a um plano que evite uma nova explosão da dívida pública, como a que afetou o conjunto da zona do euro no primeiro semestre, devido à crise grega, ressurgiu esta semana com força.

Mas não são esperados grandes avanços para a cúpula de quinta-feira. Segundo um rascunho da declaração final obtido pela AFP, os líderes europeus deverão limitar-se a afirmar que a "reforma de governança econômica deve continuar com o mesmo vigor", sem anunciar novas medidas concretas.