Ministro francês critica "grosseria" de comissária europeia

Agência AFP

PARIS - O secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Pierre Lellouche, qualificou de "inconveniente" a "grosseria" da comissária europeia de Justiça, Viviane Reding, que estabeleceu um paralelo entre a situação dos ciganos na França e na Segunda Guerra Mundial.

"Este tipo de grosseria a qual ela emprestou sua voz não me parece conveniente", disse Lellouche à rádio RTL. "Paciência tem limites, não é assim que se dirige um grande Estado", completou.

"Como ministro francês, como cidadão francês, como filho de alguém que lutou na Resistência (contra a ocupação nazista), não posso deixar que a senhora Reding diga que a França de 2010 no tratamento do tema cigano é a França de Vichy. Não é possível falar de Segunda Guerra Mundial", declarou.

"O aeroporto de Roissy não é Drancy", destacou, em referência ao principal campo de deportação de judeus da França para os campos de extermínio nazistas.

"Mandar alguém de volta com dinheiro e uma passagem de avião para seu país de origem na UE não é um campo de extermínio, nem uma câmara de gás", completou Lellouche.

"Quero acreditar que a paixão superou a razão", destacou o ministro francês em reação às palavras de Viviane Reding, responsável pela Justiça e os Direitos Fundamentais no Executivo europeu.

Reding ficou irritada por não ter sido informada sobre uma circular do governo francês, com data de 5 de agosto, que citava expressamente os ciganos como "prioridade" no desmantelamento de acampamentos ilegais.

"A discriminação por motivos de raça ou etnia não tem espaço na Europa", afirmou a comissária, que disse ter ficado "chocada" com uma situação que "acreditava não voltaria a ver depois da Segunda Guerra Mundial".