EUA: ultraconservadores surpreendem nas primárias republicanas

Agência AFP

WASHINGTON - O movimento ultraconservador republicano americano "Tea Party" obteve uma vitória incontestável na terça-feira nas primárias para as eleições legislativas de novembro, depois que uma novata derrotou a ala moderada no estado de Delaware.

Resultados extraoficiais de todos os distritos revelaram que Christine O'Donnell venceu o republicano moderado Mike Castle por 53,1% a 46,9% na primária republicana do pequeno estado de Delaware, onde será disputada em novembro a cadeira no Senado, que era do atual vice-presidente americano, o democrata Joe Biden.

"Os eleitores da primária republicana falaram e eu respeito esta decisão", disse Castle ao reconhecer a derrota em um discurso no qual não manifestou apoio a O'Donnell.

A vencedora, que superou acusações de crimes financeiros no passado, aproveitou o mal-estar em relação aos políticos estabelecidos e o apoio da candidata republicana à vice-presidência em 2008 e principal figura do "Tea Party", Sarah Palin, para obter um surpreendente triunfo.

O'Donnell iniciou o discurso de agradecimento de forma similar a Castle. "O povo de Delaware falou: não mais política como a de antes".

Apesar da vitória do "Tea Party", o resultado pode significar um alívio para os democratas, já que pesquisas recentes indicavam que Castle venceria com tranquilidade o candidato Chris Coons.

Mesmo os republicanos não acreditam que O'Donnell tenha chances de derrotar Coons em novembro, como afirmou esta semana o presidente do Partido Republicano de Delaware, Tom Ross, ao jornal Washington Post.

Os republicanos esperavam que Castle, representante do estado durante 20 anos, conquistasse a vaga de Biden depois que o filho do vice-presidente, Beau, desistiu da candidatura pelo lado democrata.

Ao mesmo tempo, em New Hampshire, Ovide Lamontagne, também ligado ao "Tea Party", superou a ex-procuradora-geral do estado Kelly Ayotte na disputa pela candidatura republicana ao Senado.

As primárias de terça-feira aconteceram duas semanas depois que outro novato do "Tea Party", Joe Miller, desbancou a senadora Lisa Murkowski na disputa republicana pela candidatura ao Senado do estado do Alasca.

Os democratas esperam que os triunfos da ala ultraconservadora republicana, com candidatos com tendência para a polêmica, ajudem a reduzir o impacto do que muitos acreditam que será uma derrota considerável nas legislativas de 2 de novembro.

A cadeira no Senado que era ocupada pela atual secretária de Estado, Hillary Clinton, por Nova York, estaria a salvo, enquanto persistem dúvidas sobre o posto por Illinois, que pertencia ao presidente Barack Obama.

Em novembro estão em disputa todas as cadeiras da Câmara de Representantes (435) e pouco mais de um terço do Senado, 37 de 100.

Diversos analistas acreditam que os republicanos conseguirão obter as 39 cadeiras adicionais que precisam para controlar a Câmara de Representantes, mas que não alcançarão a maioria no Senado.