Escalada da violência na Caxemira tem mais cinco mortes

Agência AFP

NOVA DÉLHI - A violência chegou a outras áreas da Caxemira indiana, território majoritariamente muçulmano abalado por um movimento de protesto contra o governo central, onde cinco manifestantes morreram e 25 ficaram feridos nesta quarta-feira em uma ação policial.

A polícia abriu fogo contra manifestantes em Mendhar, na região de Jammu, majoritariamente hindu, a 80 km de Srinagar, principal cidade da Caxemira indiana, dois dias depois da morte de 18 pessoas na mesma região, em uma série de protestos iniciados há três meses contra o governo central.

"A polícia abriu fogo quando a situação ficou fora de controle. Cinco manifestantes morreram e pelo menos 25 ficaram feridos", disse um porta-voz da polícia de Jammu.

Outra fonte policial afirmou que as forças de segurança foram obrigadas a abrir fogo porque as bombas de gás lacrimogêneo não foram suficientes para dispersar os manifestantes.

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, se declarou "comovido" com as mortes, em particular de jovens, nas manifestações.

Ao abrir uma reunião sobre a Caxemira com representantes dos partidos políticos, Singh pediu calma e defendeu o diálogo como solução para a crise.

"Um diálogo significativo só pode acontecer em uma atmosfera sem violência nem confronto", declarou.

Na segunda-feira, a repressão policial na Caxemira deixou 18 mortos. Nos últimos três meses, 91 pessoas morreram nas manifestações, que alguns analistas chegam a comparar com a intifada palestina.

Uma das medidas em debate para tentar apaziguar a situação seria a suspensão parcial do estado de emergência em quatro distritos da Caxemira, instaurado há 20 anos e que dá imunidade às forças de segurança. Mas o governo central ainda não tomou uma decisão a respeito.

Em 1947, esta região de maioria muçulmanda foi dividida entre Índia e Paquistão, quando o subcontinente conseguiu a independência da Grã-Bretanha,

A Índia já acusou no passado o Paquistão - que controla a outra parte da Caxemira - de estimular os distúrbios.

No entanto, vários dirigentes locais consideram que o desespero dos jovens e a intransigência da Índia provocaram a situação explosiva. A região, de 12 milhões de habitantes, tem 400.000 jovens desempregados.

A parte indiana da Caxemira é cenário de uma insurreição contra o governo de Nova Délhi, que provocou mais de 47.000 mortes desde 1989, segundo números oficiais.

Um processo de paz iniciado em 2004 com o Paquistão limitou a violência, antes da explosão dos últimos meses.

Dois terços da Caxemira indiana desejam a independência da região, mas menos de 10% querem a união ao Paquistão, segundo uma pesquisa recente.

Segundo a pesquisa do jornal Sunday Hindustan Times, 66% dos entrevistados querem a "liberdade completa" da Caxemira, que formaria um novo país.