"Desabamentos eram constantes", diz mineiro que escapou

O mineiro Miguel Valenzuela, que trabalhava na mina de San José, no norte do Chile, onde estão presos há mais de um mês a aproximadamente 700 m de profundidade os 33 mineiros chilenos, escapou do acidente por ter trocado de turno com um companheiro no dia do desabamento. Ele afirmou que os desabamentos na mina eram constantes.

"O lugar é tão grande, que a gente se perde um pouco. Sentíamos cair pedaços de solo perto da gente todo o tempo. Sabíamos que a qualquer momento poderia acontecer algo mais grave, mas isso sentíamos quando estávamos mais abaixo. No subterrâneo se perde o medo aos poucos, mas sempre sentíamos os desabamentos.", afirmou.

De acordo com Miguel, o refúgio onde se encontram presos os mineiros a 688 m de profundidade é revestido pelo mesmo material do morro. Para construí-lo, foi feita uma escavação e o buraco coberto com uma rede, que depois foi retirada. Há uma porta reforçada com ferro e uma porta normal.

O ar entrava através de tubulações, com tubos cheios de furinhos. Era o local para onde os mineiros se dirigiam para tomar um ar e descansar nos intervalos. Também era para lá que eles iam para se refrescar, pois o local onde trabalhavam com as máquinas era insuportável e chegava a atingir 50ºC. Mas no refúgio não há camas, apenas dois catres. Quem ganhava os catres dormia em cima e os outros no chão.

Miguel e os familiares dos 33 mineiros estão há um mês acampados no Acampamento Esperança, ao lado da mina. Ele afirmou que não sairá de lá até que sejam resgatados todos os seus companheiros.