Comissário da UE viaja a países do Mercosul para impulsar negociações

Anna Pelegrí , Agência AFP

BRUXELAS - O comissário europeu do Comércio, Karel de Gucht, viaja esta semana a Brasil e Argentina para impulsionar as negociações comerciais entre União Europeia (UE) e Mercosul, que desde sua reativação em maio avançam a conta-gotas, marcadas por acusações cruzadas de protecionismo.

Num momento em que a UE busca consolidar a recuperação de sua pior crise econômica desde 1945, o comissário dedicará sua visita a imprimir um caráter premente ao acordo de livre comércio, favorecendo um clima de entendimento político entre Europa e Mercosul com o objetivo de eliminar as divergências que, desde o princípio, apareceram na mesa de negociações.

Um Tratado de Livre Comércio (TLC) "equilibrado e ambicioso" poderia trazer "importantes vantagens econômicas às duas partes e contribuir para a recuperação" econômica, declarou De Gucht, cujas primeiras reuniões estão programadas para terça-feira, no Brasil. Entre outras autoridades, ele conversará com os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do Comércio, Miguel Jorge.

Na Argentina, De Gucht se encontrará na quarta-feira com o chanceler Héctor Timerman e com a ministra da Indústria Deborah Giorgi.

Sua viagem acontece exatamente um mês antes da segunda rodada de negociações entre UE e Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), entre os dias 11 e 15 de outubro em Bruxelas, indicaram à AFP nesta segunda-feira fontes do bloco europeu.

As discussões, retomadas em maio após uma longa suspensão de seis anos, enfrentam muitas dificuldades: desde as divisões internas no seio da UE, com a oposição ao acordo de dez países liderados pela França, até as críticas latino-americanas à política europeia de subsídios agrícolas.

A primeira rodada, que aconteceu em julho na cidade de Buenos Aires, foi ambiciosa: os dois blocos regionais anunciaram sua intenção de fechar o acordo comercial antes do fim do mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva, em dezembro.

Lula, por sua vez, se propôs a "amolecer o coração dos franceses", aludindo à férrea oposição de Paris a assinar o TLC. Os franceses temem que o acordo coloque em risco os subsídios agrícolas que o país recebe da UE, muito criticados na América Latina, que os acusa de protecionismo.