Relatório da ONU revela atos de genocídio na República do Congo

Agência AFP

PARIS - Um relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, revelado nesta quinta-feira pelo jornal francês Le Monde, considera que militares ruandeses ou apoiados por Ruanda teriam cometido atos de "genocídio" na República Democrática do Congo (RDC) em 1996-98.

No documento quase definitivo, os investigadores da ONU afirmam que "os ataques sistemáticos e generalizados" contra hutus refugiados na RDC após o genocídio de 1994 contra os tutsis de Ruanda "revelam vários elementos contundentes, que se forem demonstrados em um tribunal competente, poderiam ser qualificados como crimes de genocídio".

Procurado pela AFP em Genebra, Rupert Colville, porta-voz do Alto Comissariado da ONU, afirmou que o Le Monde teve acesso a "uma versão incompleta do informe", mas se negou a comentar a reportagem.

"É um projeto de dois meses, e a versão definitiva estará pronta em breve", disse.

O documento de 600 páginas faz uma radiografia dos crimes cometidos na década 1993-2003, e se refere aos fatos atribuídos ao Exército Patriótico Ruandês (APR) em 1996-98 e sua aliada Aliança das Forças Democráticas para a Libertação do Congo (AFDL), apoiada por Kigali.

O informe descreve "a natureza sistemática, metodológica e premeditada dos ataques contras os hutus, que aconteceram em cada cidade na qual a AFDL e o APR encontrara refugiados".

Mais de um milhão de hutus de Ruanda se refugiaram no que então era o Zaire (atual RDC), temendo represálias da Frente Patriótica Ruandesa (FPR, dominada pelos tutsis), que chegou ao poder em Kigali em 1994, depois do genocídio de 800.000 tutsis e alguns hutus no mesmo ano.