Presidente mexicano reconhece fraqueza institucional das cidades

Agência ANSA

CIDADE DO MÉXICO - O presidente mexicano, Felipe Calderón, reconheceu a fraqueza institucional das cidades e a insuficiência de recursos destinados à segurança, após a chacina que deixou 72 mortos, entre eles pelo menos quatro brasileiros.

O grupo, localizado ontem em uma fazenda no estado de Tamaulipas, nordeste mexicano, seria formado por supostos imigrantes ilegais. Entre as vítimas, 58 homens e 14 mulheres, havia também centro-americanos e equatorianos.

Na noite de ontem, Calderón apresentou o diagnóstico em um encontro com prefeitos, que faz parte dos fóruns sobre segurança que mantém com diferentes setores do país, onde a violência atribuída ao crime organizado deixou 28 mil mortos em três anos e oito meses de governo.

"Nota-se uma grande fragilidade institucional nos municípios", disse do chefe de Governo mexicano, que citou como exemplo as 400 prefeituras que precisam de um corpo de segurança próprio, recordando que 90% dos municípios contam com menos de cem efetivos policiais.

Segundo o presidente, no México existem 2.439 municípios e 70% dos policiais destes locais têm apenas educação básica, enquanto 61% deles recebem um salário mensal mais baixo que 4.000 pesos (315 dólares).

Outra limitação é a insuficiência orçamentária já que, em média, os municípios destinam 4% de seus recursos à segurança, o que se traduz em corporações mal equipadas e mal remuneradas, pontuou Calderón.

O presidente se reuniu com os prefeitos no momento em que promove a criação de 32 polícias estatais que absorvam boa parte dos 165.500 guardas municipais que existem no México, iniciativa que, a princípio, é rechaçada por quase 90% das cidades.

Paralelamente ao fórum, a organização não-governamental México Avalia denunciou que a falta de acesso a dados oficiais de insegurança dificulta precisar a dimensão da violência que afeta o país.