Mineiros chilenos estão bem, mas famintos

Agência AFP

SANTIAGO - Os 33 mineiros presos há 18 dias no interior de uma mina no norte do Chile estão em perfeito estado de saúde, "com muita fome" e desesperados por escovar os dentes, revelou nesta segunda-feira o ministro chileno da Mineração, Laurence Golborne, após conversar com o grupo por quase uma hora.

"Estão bem, não têm qualquer problema de saúde, exceto pela dor no estômago e por muita fome por razões óbvias", disse Golborne. "Pediram comida, escovas de dentes e algo para os olhos", devido à poeira.

Equipes médicas entraram em contato com o grupo por um sistema de comunicação enviado através do duto aberto até o ponto sob a terra, com o qual se estabeleceu a primeira comunicação no domingo, e foi possível constatar "o perfeito estado de saúde de todos", disse a médica Paula Newman, acrescentando que "ninguém está traumatizado".

A comunicação é bastante rudimentar, já que o sistema é baixado e suspenso, o que leva em torno de uma hora. O mesmo duto é utilizado para enviar alimentos e medicamentos.

O objetivo imediato das equipes de resgate é enviar três sondas, para o envio de comida, o estabelecimento de comunicação contínua e a ventilação do local.

"Têm problemas muito menores do que poderíamos esperar" após uma permanência de 18 dias a 700 metros de profundidade, submetidos a altas temperaturas e à umidade, explicou Newman, encarregada da operação de sobrevivência.

Segundo Golborne, os mineiros "estão com o moral alto" e se organizaram para sobreviver e conviver no local. "Imediatamente colocaram no telefone seu chefe de turno, que com grande clareza e controle da situação, nos manteve perfeitamente informado do que ocorria".

Durante o contato, foi feita uma lista dos mineiros presos, o relato sobre seu estado de saúde e um levantamento do suprimento de água, disse o engenheiro encarregado do resgate, André Sougarret.

Os mineiros explicaram que não estão no refúgio onde se supunha porque lá a ventilação é insuficiente, e "ficaram muito contentes" quando foram informados de que seus companheiros saíram da mina antes do desabamento, revelou Golborne.

Newman disse que o grupo já recebeu um solução com glicose a 5% e comprimidos de omeprazol, um medicamento para revestir o estômago para evitar possíveis úlceras devido à falta de alimentação. Segundo a médica, os mineiros deverão esperar ainda um dia antes de receber alimentos sólidos.

Os engenheiros estão concluindo um levantamento topográfico para poder abrir um novo acesso à mina, e vão coordenar as ações com o grupo soterrado quando as máquinas iniciarem o trabalho.

O tempo para se chegar ao grupo, estimado em entre três e quatro meses, ainda não foi comunicado aos mineiros, que receberão tarefas diárias e serão monitorados por médicos e psicólogos.

O grupo ficou preso sob a terra no dia 5 de agosto, após um desabamento em uma mina de cobre e ouro situada 800 km ao norte de Santiago.