Itália comemora suspensão de apedrejamento de mulher iraniana

Agência ANSA

ROMA - O governo da Itália comemorou hoje a confirmação feita pela Chancelaria do Irã da suspensão da pena de morte por apedrejamento contra Sakineh Mohammadi Ashtiani, acusada de adultério e homicídio em seu país.

O anúncio de Teerã sobre a decisão "é resultado de uma mobilização internacional de governos e opiniões públicas e de um importante sinal de racionalidade da parte das autoridades iranianas", afirmaram ministros italianos.

Em uma nota conjunta, Franco Frattini, das Relações Exteriores, e Mara Carfagna, da Igualdade de Oportunidades, explicaram que o caso encoraja "a vontade de manter sobre muitos temas, ainda que sensíveis, canais de diálogo e de respeito recíproco".

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, confirmou a suspensão do apedrejamento contra Sakineh em uma entrevista à TV estatal. Segundo ele, o veredicto está sob revisão.

"A tutela e a promoção dos direitos humanos não devem conhecer descanso. Agradecemos ao chefe de Estado Giorgio Napolitano e a tantas instituições, as administrações públicas, as forças políticas e as associações que apoiaram a campanha dos ministérios das Relações Exteriores e para a Igualdade de Oportunidades 'Pela vida de Sakineh'", acrescentaram os italianos.

Muitos cidadãos do país europeu se mobilizaram a favor da iraniana, além do próprio Frattini, que pediu clemência diversas vezes -- entre as personalidades que comentaram o assunto está o escritor Roberto Saviano, autor do livro "Gomorra", sobre a máfia napolitana Camorra.

Em meio a outras iniciativas, o governo da região do Lazio -- uma das mais importantes da Itália e onde está localizada a capital Roma -- lançou na semana passada uma campanha em seu site institucional a favor da mulher, com o slogan "O Lazio com Sakineh".

Mais cedo, o Comitê Permanente sobre Direitos Humanos da Câmara dos Deputados havia se reunido para deliberar sobre o caso da iraniana, e lançou "um apelo para exprimir o compromisso coeso do Parlamento italiano para colocar fim à barbárie de um episódio que encheu de horror o mundo civilizado".

O prefeito de Roma, Gianni Alemanno, também afirmou que a suspensão da sentença é um gesto racional do governo do Irã e fruto da mobilização pela defesa dos direitos humanos. "Isto significa que quando toda a sociedade civil se ativa por um objetivo de alto perfil, no final se consegue obter resultados válidos", acrescentou.