Investigadores de massacre a imigrantes no México são mortos

Agência AFP

CIDADE DO MÉXICO - Os corpos do promotor que iniciou a investigação do massacre de 72 migrantes no México, incluindo dois brasileiros, e do chefe de polícia da localidade onde aconteceu a matança foram encontrados nesta terça-feira, três semanas depois do desaparecimento de ambos.

Roberto Jaime Suárez, o promotor investigador, e Juan Carlos Suárez, secretário de segurança do povoado de San Fernando (Tamaulipas, nordeste), estavam desaparecidos desde 24 de agosto, pouco depois de chegar ao rancho onde, nesse mesmo dia, havia sido descoberta a matança.

Os corpos de ambos foram localizados no município de Méndez, também em Tamaulipas, e junto a eles foram encontradas identificações que permitiram estabelecer sua identidade, segundo a Promotoria estatal em um comunicado.

A Procuradoria-geral havia dito que desconhecia se o desaparecimento estava relacionado com o fato de que foram os primeiros funcionários a chegar ao local do crime cometido pelo cartel de Los Zetas.

No massacre morreram 72 imigrantes do Brasil, El Salvador, Honduras, Guatemala e Equador sequestrados quando tentavam chegar aos Estados Unidos. O rancho onde ocorreu a matança fica a 180 km da fronteira.

Apenas um equatoriano e um hondurenho sobreviveram ao massacre.

A morte dos dois funcionários ressalta o risco que correm as autoridades em uma zona onde os narcotraficantes se deslocam armados pelas estradas e usam fazendas como seus acampamentos, segundo relatórios militares que assinalaram cerca de 30 mortes em confrontos com pistoleiros na última semana.

O México se comprometeu ante os governos a divulgar na próxima semana um relatório preliminar sobre as investigações em andamento.

A respeito da violência registrada no país, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quarta-feira que os carteis da droga se comportam cada vez mais como uma insurgência no México, que começa a parecer com a Colômbia de há vinte anos.

"Estes carteis da droga estão mostrando cada vez mais sinais de insurgência. De repente, começam a aparecer carros-bombas, o que não acontecia antes", afirmou Hillary Clinton durante um evento em Washington.

"O México está se parecendo cada vez mais com a Colômbia de há 20 anos, quando os narcotraficantes controlavam certas partes do país", afirmou. "Quase 40% do país (a Colômbia) esteve num dado momento controlado por insurgentes, pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia", acrescentou.

Desde que o presidente mexicano Felipe Calderón iniciou uma ofensiva contra o crime organizado, em dezembro de 2006, mais de 28.000 pessoas morreram na violência do narcotráfico, principalmente nos estados fronteiriços com os Estados Unidos.

Hillary parabenizou Calderón por sua coragem e compromisso diante de um desafio tão difícil e afirmou que seu país está preparado para ajudar o governo mexicano e o resto das nações latinas a combater o narcotráfico.