Igreja francesa defende posições do papa sobre imigrantes

Agência ANSA

PARIS - O vice-presidente da Conferência Episcopal Francesa (CEF), Dom Hippolyte Simon, defendeu hoje a postura do Vaticano em relação aos imigrantes, respondendo, assim, ao ministro da Imigração da França, Éric Besson, que definiu como "injustas" as palavras do papa Bento XVI.

"É normal que a instituição se coloque à disposição da parte mais frágil da população", afirmou o religioso em entrevista ao jornal católico La Croix, referindo-se ao Angelus do último domingo, durante o qual o Pontífice fez um apelo para que a França revisse sua política de repatriação.

Sobre as acusações de ingerência na política francesa, o padre reiterou que "não deve haver confusão de papéis, somente a vontade de fazer-se porta-voz de pessoas que ninguém escuta".

"As intervenções desses dias" se baseiam na "doutrina social da Igreja e do Evangelho" e a instituição "faz o seu papel quando chama a atenção do poder público sobre a necessidade de acolher e proteger as pessoas que frequentemente vivem em situação precária", apontou.

Por sua vez, nesta terça-feira, o jornal francês Liberation comparou o presidente da França e o primeiro-ministro da Itália, aludindo que Sarkozy e Silvio Berlusconi têm "políticas similares" quanto à imigração.

Para a publicação, o discurso de Bento XVI "não poderia ter sido mais explícito na sua crítica às frases do chefe de Estado francês sobre os roms [ciganos] e os nômades".

O artigo relembra que, em nome da Conferência Episcopal da Itália (CEI), o bispo Giancarlo Perego classificou as expulsões como "ilegítimas", citando que o ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, estava "publicamente animado com a iniciativa do governo francês".

Mais de 200 ciganos da etnia Rom foram reencaminhados à Romênia e à Bulgária, seus países de origem, nos últimos dias no programa de "repatriação voluntária", que fornece aos que deixam o território francês, além de passagens aéreas, um subsídio de 300 euros. Os menores de idade recebem ajuda de 100 euros.

Na semana passada, a imprensa romena classificou as expulsões como "hipócritas", e, segundo alguns veículos, destinadas a fazer o presidente Nicolas Sarkozy "reconquistar o eleitorado perdido", já que sua popularidade tem registrado queda.