Agência AFP
LONDRES - A organização separatista armada basca ETA anunciou neste domingo um cessar-fogo em um vídeo divulgado pelo canal público de televisão britânico BBC e pelo jornal basco Gara, após um ano sem atentados, mas sem explicar por quanto tempo nem se abandona as armas em definitivo.
Veja vídeo:
"O ETA faz saber que há alguns meses tomou a decisão de não executar ações armadas ofensivas como parte de sua luta pela independência da região do País Basco" (norte da Espanha), anunciou a organização em um vídeo no qual aparecem três homens encapuzados e com uma voz feminina que fala em basco.
Pouco depois da BBC ter disponibilizado o vídeo em seu portal, o jornal separatista Gara também divulgou as imagens na internet com uma tradução para o espanhol. O anúncio não detalha o tempo do cessar-fogo nem se o grupo vai abandonar as armas.
"ETA reafirma o compromisso com uma solução democrática (...) para que, através do diálogo e da negociação, nós cidadãos bascos possamos decidir noss futuro de forma livre e democrática", anuncia.
"Se o governo da Espanha tiver vontade, ETA está disposto, hoje como ontem, a concordar com condições democráticas mínimas necessárias para empreender o processo democrático", oferece.
"Assim também fazemos saber à comunidade internacional", completa.
Um porta-voz do ministério do Interior afirmou à AFP que "ainda não existe uma avaliação".
No sábado, o partido basco não violento Eusko Alkartasuna (EA) confirmou ter solicitado, junto ao partido Batasuna, um cessar-fogo permanente do ETA sob verificação internacional.
O governo espanhol se nega a negociar com o ETA. A imprensa espanhola já ressalta que o anúncio da organização não tem nada de concreto.
ETA, considerado uma organização terrorista pela União Europeia (UE), é responsável pela morte de 829 pessoas em mais de 40 anos de violência pela independência de 'Euskalherria', uma "grande nação basca" formada pelo País Basco espanhol, a vizinha região de Navarra e o País Basco francês. Desde então já cumpriu três tréguas.
A organização anunciou um cessar-fogo entre março de 2006 e junho de 2007, período em que o governo socialista espanhol de José Luis Rodríguez Zapatero tentou iniciar uma negociação, sem êxito, para que o ETA entregasse as armas.
Mas o ETA rompeu de fato a trégua com um atentado em 30 de dezembro de 2006 no estacionamento do terminal 4 do aeroporto de Madri-Barajas, que matou dois equatorianos.
Depois de declarar o fim deste cessar-fogo em junho de 2007, ETA retomou as ações violentas e desde então matou 10 pessoas, entre elas agentes dos serviços de segurança, um ex-vereador socialista e um empresário nacionalista basco.
A última vítima do ETA foi um agente francês assassinado em 16 de março em Dammarie-les-Lys, a 50 km de Paris, durante um tiroteio entre membros da organização e a polícia deste país.
A última ação na Espanha foi um atentado na cidade de Palmanova, na ilha de Malhorca: um carro-bomba matou dois guardas civis.
Durante o mesmo período, o grupo também viu dezenas de militantes presos pelas polícias espanhola e francesa, assim como operações contra esconderijos e apreensões de armas na Espanha, França e Portugal.
Nos últimos dois anos e meio foram presos seis chefes do ETA.
Nos últimos meses, o movimento separatista radical basco se movilizou ao redor do Batasuna, partido político considerado ilegal desde 2003 pela justiça espanhola por seus contatos com o ETA.
A meta do Batasuna passou a ser um cessar-fogo do ETA par