Chile: familiares querem mandar bola de futebol a mineiros presos

Agência ANSA

SANTIAGO - Os familiares dos 33 mineiros presos na mina San José, no deserto de Atacama, desde o dia 5 deste mês, disseram aos trabalhadores, por meio de uma mensagem, que gostariam de enviar uma bola de futebol para eles, para "fazer companhia" ao grupo.

"Queríamos mandar para vocês uma bola de futebol, mas ela não passa pela sonda. Aí embaixo não vão poder jogar nenhuma partidinha", diz a nota, enviada aos homens que estão a 700 metros de profundidade, divulgada hoje pela imprensa.

Há dois dias, uma das sondas transmitiu a boa notícia de que todos os trabalhadores soterrados estavam vivos e dispostos a lutar até o último momento. Após a realização dos primeiros contatos, visual e auditivo, as autoridades convidaram os familiares a escrever bilhetes de afeto e apoio.

Desde então, as pessoas que aguardam seus parentes no local enviam palavras encorajadoras, que os convidam a "aguentar firme", mas também brincadeiras, como essa sobre a bola.

Os mineiros ficaram presos após um desmoronamento de terra fechar o acesso. A notícia de que eles estão vivos foi comemorada em todo o país, principalmente pelo presidente Sebastián Piñera, que enfrenta com este caso o seu segundo grande desafio desde a posse, em março passado.

Eleito no segundo turno das presidenciais chilenas, em 17 de janeiro, Piñera teve que mudar seu programa de governo depois do terremoto de 27 de fevereiro, que devastou parte do centro-sul do país.

Desde o deslizamento que bloqueou os trabalhadores, sua gestão vinha sendo bastante criticada porque, segundo denúncias, já teria informações sobre o mau estado de conservação do local e, ainda assim, permitiu o seu funcionamento.

Um documento divulgado por um parlamentar local, datado de 9 de julho e difundido pela rede Telesur, apontava que "não havia condições adequadas" para as atividades da mina San José.

No domingo, ao ser notificado da sobrevivência dos 33 homens, Piñera viajou imediatamente a Copiapó, localidade que abriga a mina. Na ocasião, ele expressou sua "alegria" e "emoção", além de conversar com as famílias dos trabalhadores.

De acordo com as autoridades que trabalham nas tarefas de resgate, a retirada dos mineiros deverá levar cerca de quatro meses. No momento, analisa-se, além do envio de cartas de familiares, um acompanhamento psicológico para evitar que eles sofram algum distúrbio no período que ainda permanecerão isolados, sem iluminação, em um pequeno espaço.