Separatistas da Caxemira rejeitam negociação com Índia

Agência AFP

NOVA DÉLHI - Separatistas da Caxemira rejeitaram uma oferta da Índia de iniciar novas negociações depois de diversas semanas de violentos protestos contra Nova Délhi que deixaram mais de 50 mortos.

O ministro indiano do Interior, P. Chidambaram, afirmou na sexta-feira que estava disposto a iniciar negociações com os separatistas opostos à administração indiana, em uma tentativa aparente de aplacar a violência.

Mas o líder dos separatistas da Caxemira, Mirwaiz Umar Faruq, rejeitou a oferta. "Onde está o alcance real de seu compromisso, quando desataram o terror contra um povo que pede por seus direitos básicos?", disse Faruq, que já negociou diversas vezes com Nova Déli no passado.

A região, de maioria muçulmana, é palco de protestos desde 17 de junho, data em que as forças de segurança mataram um estudante de 17 anos durante uma manifestação contra a administração indiana, em meio aos piores atos de violência em dois anos.

Em torno de 49 pessoas morreram, na maioria jovens e adolescentes baleados pelas forças de segurança, 32 deles nos últimos oito dias.

O controle da Caxemira, dividido em dois e administrado de um lado por Nova Délhi e do outro por Islamabad, foi a causa de duas das três guerras que opuseram ambos os países desde o desmantelamento do Império das Índias, em 1947.

Desde 1989, a região é cenário de uma insurreição anti-indiana que deixou mais de 47.000 mortos, mas um processo de paz iniciado em 2004 com o Paquistão permitiu reduzir a violência.

A Índia se vê nesta espiral de violência causada por extremistas paquistaneses, mas diversos líderes políticos locais consideram que é o desespero da juventude em relação ao futuro que desencadeia os distúrbios.