Salman Rushdie lamenta radicalismo iraniano na Flip

Luisa Bustamante, JB Online

PARATY, RJ - Na mesa 10, última da noite de sexta feira na Flip, "Em nome do filho", Salman Rushdie mostrou o motivo de ser um dos mais aguardados autores da festa. O escritor falou do seu novo livro, "Luka e o sentimento da vida", fábula sobre o filho de um contador de histórias, que precisava atravessar o mundo da fantasia para salvar a vida do pai. A trama, à primeira vista, pode remeter à situaçao do próprio Rushdie - alvo de uma fatwa (decreto religioso) emitida em 1989 pelo Aiatolá Khomeini, entao líder supremo do Irã, que exortou od muçulmanos a matarem o autor devido ao romance "Os versos satânicos".

Rushdie fez piada para responder ao mediador Silio Boccanera se passar uma década vivendo escondido ou sob proteção por conta da fatwa havia mudado suas ideias acerca do fundamentalismo religioso. "Bem, sempre fui contra ele. O que me surpreendeu na fatwa foi descobrir que um livro pode despertar esse tipo de crítica negativa" disse, provocando risos. Rushdie também falou a respeito de como encara a religiosidade "Meu interesse na religiosidade está nas religiões que as pessoas não acreditam mais." afirma, "porque as religiões de hoje têm as respostas pra tudo, mas eu estou mais interessado nas perguntas".