Hezbollah tenta provar que Israel assassinou ex-premiê libanês

Gabriel Toueg, Portal Terra

JERUSALÉM, ISRAEL - O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, começou na noite desta segunda-feira o discurso que prometeu na semana passada em que apresentaria provas sobre o envolvimento de Israel no assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri, em 2005.

Logo no começo do discurso, realizado em Beirute, Nasrallah disse que em 1993 um membro do grupo - que é também partido político no Líbano - foi detido pela Inteligência síria. Ele disse que o membro do Hizballah preso se chama Ali Deeb.

De acordo com Nasrallah, a prisão de Deeb ocorreu porque a Inteligência em Damasco recebeu uma informação de Hariri de que Imad Mughniyeh, membro do grupo morto em 2008, estaria planejando assassiná-lo. Ele teria recebido a informação de um colaborador (ou espião) de Israel no Líbano.

O discurso foi comentado na imprensa internacional intensamente desde que foi anunciado por Nasrallah. De acordo com analistas, as falas do líder do Hezbollah podem determinar o novo mapa político libanês. Israel acusa o grupo de Nasrallah pelo assassinato de Hariri, e ele disse na semana passada que tem provas para mostrar o envolvimento de Jerusalém no incidente, que deixou outros 21 mortos e dezenas de feridos.

Uma investigação realizada pelas Nações Unidas no caso não aponta culpados mas revela que o assassinato ocorreu quando um suicida, identificado apenas como um "homem e jovem" teria detonado explosivos, matando Hariri, seus guarda-costas e outras pessoas. O método não é comum no serviço secreto israelense.

Nasrallah assumiu a liderança do Hezbollah em 1992, depois do assassinato de Abbas al-Musawi. O assassinato de al-Musawi foi atribuído a Israel, em um ataque realizado com um helicóptero no sul do Líbano. Jerusalém, em seguida, reconheceu a autoria do ataque, afirmando que se tratava de um plano de assassinar al-Musawi.

O Hezbollah não reconhece Israel e há quatro anos capturou dois reservistas israelenses na fronteira comum, provocando a Segunda Guerra do Líbano. Há tensão na região sobre um novo conflito envolvendo Israel e países vizinhos. Na semana passada uma troca de tiros entre os exércitos do Líbano e de Israel matou dois militares libaneses, um israelense e um jornalista libanês.