Dissidentes cubanos irão à Justiça caso não obtenham asilo político

Agência AFP

ESPANHA - O advogado que representa seis dos 20 dissidentes cubanos que chegaram à Espanha no último mês, libertados pelo governo de Raúl Castro, advertiu neste domingo que recorrerá na Justiça caso Madri não lhes dê asilo político.

Fernando Vizcaíno disse à imprensa espanhola que está tentando reunir-se com os partidos políticos para saber "se há algum motivo que não se conheça para não terem concedido asilo político a seus representados. Ou seja, se há algum acordo que a Espanha tenha fechado com Cuba".

No mês passado, a Espanha recebeu 20 dissidentes cubanos, depois que em 7 de julho o governo de Raúl Castro e a Igreja Católica, em conversas das quais Madri também participou, chegaram a um acordo para a libertação de 52 presos políticos.

Os 32 restantes permanecerão em Cuba ou partirão para os Estados Unidos.

Vizcaíno disse que os seis ex-prisioneiros que representa querem o estatuto de refugiados, para que fique claro que foram libertados em Cuba por motivos políticos.

O advogado lembrou que, legalmente, o estatuto de refugiados deve ser dado a eles dentro de um máximo de seis meses. Se no final desse período o governo espanhol não tiver dado asilo político, recorrerá "ao âmbito judicial", disse Vizcaíno à imprensa espanhola.

Mas, antes, pensa em levar o caso diante de uma defensoria.

"Não podem esperar seis meses sem saber o que acontece, por isso, recorreremos à defensoria", explicou.

Também levantou a possibilidade de recorrer a instâncias internacionais, como o Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).