Comissão Europeia acompanha com preocupação a repatriação de ciganos

Agência AFP

PARIS - A Comissão Europeia afirmou nesta quarta-feira que está acompanhando atentamente a polêmica repatriação de ciganos romenos e búlgaros que a França prepara para os próximos dias, aconselhando o governo francês a respeitar as regras sobre a proteção dos cidadãos europeus.

"A França deve respeitar as regras sobre a liberdade de circulação e de estabelecimento dos cidadãos europeus", comentou o porta-voz, admitindo, no entanto, que os Estados podem restringir esses direitos em determinadas circunstâncias.

Romênia e Bulgária, de onde são oriundos os 700 ciganos passíveis de repatriação, tornaram-se membros da União Europeia em 1º de janeiro de 2007.

O chanceler da Romênia afirmou, por sua vez, temer "reações xenófobas" depois do anúncio da repatriação pelo governo francês.

"Expresso minha preocupação pelos riscos de populismo e reações xenófobas em um contexto de crise econômica", declarou Teodor Baconschi a Radio France International (RFI).

"Se trocarmos acusações ou criminalizarmos coletivamente os grupos étnicos (...), ao invés de encontrar soluções, vamos gerar tensões", completou.

A França prevê a repatriação, antes do fim do mês, de 700 ciganos em situação irregular para a Romênia e Bulgária no âmbito do plano de retorno voluntário a seus países de origem, dos quais 79 partirão já nesta quinta-feira, uma decisão que acentua a polêmica pela política de segurança do governo.

Setenta e nove ciganos, que aceitaram um plano de ajuda voluntário de 300 euros por adulto e 100 euros por menor, serão repatriados nesta quinta-feira da França para Bucareste, anunciou o ministro francês da Imigração, Eric Besson.

Trata-se, segundo ele, do 25º voo deste tipo desde o início do ano rumo à Romênia e Bulgária.

O ministro francês do Interior, Brice Hortefeux, anunciou que 51 acampamentos ilegais de ciganos haviam sido desmantelados este verão (hemisfério norte) em toda a França. Segundo ele, há 600 acampamentos ilegais no país.